A arte do pseudo-intelectualismo
Escrito em 06. jun, 2009 por Fernando Aureliano | Tema: Comportamento, Crônicas
Acho que uma das coisas mais estúpidas que invetaram foi a noção de que pra se fazer um filme basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. É como dizer que para fazer um quadro bastasse uma tela e tinta, ou como se para fazer uma música bastasse um violão.
Se a arte fosse tão fácil assim seria uma puta e não teríamos tanto “trabalho de segunda” espalhado mundo à fora. Em nível artístico, nossa sociedade está cheia de pseudo-intelectuais com diplomas de baixo do braço que não significam nada e não garantem um produto de qualidade real. Quentin Tarantino nunca fez faculdade de cinema, mas garanto que ele estudou muito mais que muita gente formada. Não é errado fazer faculdade, mas fazer qualquer uma ou supervalorizar seu “papel” pode ser intelectualmente perigoso. Vivemos em um mundo que ainda acredita que só estuda quem ganha diploma e quem tem alguém lhe dizendo o que fazer e o que pensar. Este é um placebo intelectual, e noto que aos poucos está perdendo espaço, mas ainda há quem não consiga enxergar um palmo diante de seus orifícios nazais ou até mesmo se negue a perceber que um pedaço de papel não significa muita coisa em um mundo digital.
Diploma não é uma virtude nem nunca o será. Este conceito “oitentista” está com os dias contados. A qualificação é muito mais que o diploma ou o acesso ao material necessário para se produzir uma obra. Hoje, muita gente acha que pode ser qualquer coisa, mas a verdade é que muitos podem apenas tentar. O que você precisa é pensar, não basta ter uma idéia na cabeça, muito menos um diploma na mão para lhe transformar em um gênio da arte, isso qualquer macaco tem. O que realmente importa, são os resultados.
O video abaixo apresenta um tutorial para quem ainda deseja ser um pseudo-intelectual, afinal, boa parte deles são brasileiros e não desistem nunca.
Fernando Aureliano
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Asfixia.
Mutável, ambivalente e perturbado. Diretor de animação e ousado. Adora cachorros e cerveja; usa Apple e não vive uma semana sem ir ao bar jogar conversa fora; não sabe mais escrever a mão e ama a música; é ateu e não tem papas na língua. É a típica pessoa que, ou você ama, ou você odeia. Não gosta de quem concorda com ele, e admira as pessoas que discordam de suas ideias. É viciado em informação e está sempre disposto a se reinventar.




Geilson Volking
jun 8th, 2009
Sei que você está falando sobre arte, mas acho que conheço suas opniões a respeito de quem faz universidade ou almeja
um diploma qualquer. Participei de um curso superior e não perdi nada com isso, ao contrário, aprendi muita coisa
interessante, conheci muita gente bacana, inteligente; professores que nos fazem sentir uma ameba em material de
conhecimento, etc. etc. etc. Claro que conheci tb muita gente imbecil, mas isso é algo impossível de se desvencilhar… só se o cara se
trancar dentro de casa e não ter mais contato com ninguém. O pior é se esse mesmo cara, ao passar pelo espelho do quarto, ter a ligeira impressão que avistou
um deles.
Quanto ao diploma, sinto muito, mas ele não está com os dias contados. Ou você confiara num médico que
aprendeu medicina na tela do computador de casa? Ou se sentira tranquilo morando no 24° andar de um prédio que o engenheiro aprendeu engenharia
numa apostila amarelada que encontrou numa prateleira empoeirada do Sebo Rio Branco? Existe algumas áreas que realmente são mais fáceis de se
“dominar” via autodidatismo, mas outras não. Em arte, realmente o que vale é o talento e não um diploma debaixo do sovaco.
Mas não são poucos os escritores, pintores, cineastas, etc. que se destacaram em suas áreas e que frequentaram universidades. Sempre achei que
a generalização é a forma mais pobre de simplificar aquilo que é complexo e que foge da nossa capacidade de compreensão. Flerto com a cautela. E
como foi difícil aprender isso.
Realmente, existe muitos pseudo-intelectuais se achando a pastilha sanitária do bojo de Michael Jackson. Mas fazer o quê, né. Matar é que não pode…
No entanto, associá-los a quem faz faculdade não seria uma forma de preconceito e simplificação?
Fernando Aureliano
jun 9th, 2009
Acho que você levou minha opinião para o lado pessoal.
Nunca morei nem nunca moraria em um prédio projetado por um engenheiro não formado. Nem nunca deixaria um médico de curso por correspondência meter uma agulha em mim. É por isto que deixo claro no post que estava me referindo a classe artística.
Quando falo sobre o diploma, eu digo que não é errado estudar numa faculdade, mas deixo implícito quanto as pessoas que estudam em qualquer uma (como muitas particulares em que as pessoas praticamente compram o diploma), e que se acreditam profissionais de qualidade. Quando me refiro ao diploma, quero deixar claro que estou falando da supervalorização dele, pois aqui estou me propondo a desmistificar os atuais valores que são agregados a este pedaço de papel.
“… não basta ter uma idéia na cabeça, muito menos um diploma na mão para lhe transformar em um gênio da arte”. Quando digo isto, proponho que deve haver um equilíbrio entre o conhecimento autodidata e o acadêmico, e que nem um nem outro pode puramente lhe trasformar naquilo que você queira ser.
Por fim, acredito que o ambiente não justifica se passar 4 ou 5 anos em lugar nenhum, pessoas você pode conhecer, sentar e discutir até na parada de ônibus. Uma prova disso é que alguns dos maiores gênios de nossa e de outras épocas nunca fizeram faculdade, o que quer dizer que não tenham estudado nem os diminui como profissionais ou artistas que foram. E isto acontece com uma frequência cada vez maior no nosso tempo. As pessoas mais ricas e mais inteligentes do mundo em nossa época (e que eu poderia citar), nunca fizeram, ou largaram a faculdade em menos de um ano para seguirem seu caminho, pois ela acabou se tornando um empecilho. Mas é claro que este foi o caso delas, que a maioria ainda precisa da faculdade, o que não é errado, mas é preciso aceitar que ela não é tudo, que é preciso mais.