Bloomsday
Escrito em 16. jun, 2009 por Joseniz | Tema: Cabeceira, Comportamento, Sétima Arte
Hoje, dia 16 de Julho se comemora o Bloomsday na Irlanda. Mas o que é o Bloomsday afinal de contas? Um novo dia da semana? Um feriado? Algo a ver com a música do U2: ‘Sunday Bloody Sunday“? Qual a importância deste dia para os irlandeses? e por que é comemorado no dia 16 de Julho? São alguns dos questionamentos que pretendo responder à medida que os seus olhos atentos acompanham este texto.
O Bloomsday é um feriado Irlandês em que se homenageia o livro Ulysses, do autor James Joyce. É o único feriado dedicado a um livro no mundo excetuando-se a Bíblia.
O livro modernista levou oito anos para ser concluído e foi proibido em alguns países, possui cerca de 900 páginas, divididas em 18 capítulos sendo que, cada um dos capítulos tem uma narrativa própria, com diversas citações e referências diferentes relacionadas a um episódio específico da Odisséia de Homero tendo associados a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano e representa uma hora na vida do personagem Leopold Bloom no dia 16 de Junho de 1904 percorrendo as 19 ruas da cidade de Dublim.
James Joyce passou a vida adulta afastado da Irlanda e em seu livro boa parte do que é descrito das ruas irlandesas para ambientação detalhada da história tem por base sua infância, relatos de amigos e uma listagem dos proprietários e imóveis da cidade. O Trabalho e o autor tem um forte vínculo com a cidade de Dublim e a Irlanda por isso esta data é comemorada tão efusivamente todo dia 16 de Julho.
O dia 16 de Julho de 1904 foi escolhido pelo autor, segundo uma carta escrita pelo mesmo, por ser o dia em que perdeu a virginidade com a companheira Nora Barnacle em um coito interrompido (imagine se tivesse sido um coito completo).
A festa do Bloomsday apresenta caminhadas pela cidade, exposições, encenações teatrais, leituras ao ar livre, exibição de filmes e um grande café da manhã com as pessoas caracterizadas como os personagens da época do livro (sim, estão fazendo cosplay do livro). Boa parte destes eventos organizada pelo James Joyce Centre. Durante o Bloomday número 100 em 2004, a cidade de Dublim comemorou durante cinco meses seguidos.
Em diversas partes do mundo incluindo o Brasil, em algumas localidades, também se comemora o Bloomsday de forma efêmera em seu calendário cultural. Um exemplo disso foi o espetáculo teatral em comemoração ao Bloomsday realizado em 2004 pelo grupo Oficina Multimédia.
Para os que residem em Natal e se interessaram pelo assunto, vocês podem também participar das comemorações, que estão sendo realizadas das 9h às 20h em diversas partes da cidade. A programação completa está no convite abaixo, mas gostaria de destacar em especial a exibição do ótimo filme “Bloom- Toda a vida em um único dia“, dirigido por Sean Walsh às 16h e 30min no mercado de Petrópolis, onde está localizada a sede do Cineclube Natal.
Aqui apresento a ficha técnica do filme “Bloom- Toda a vida em um único dia“:
Título original: Bloom
País: Irlanda
Ano: 2003
Duração: 113 minutos
Cor: colorido
Idioma: inglês
Gênero: Drama, Romance
Estúdio: Odyssey Pictures
Roteiro: James Joyce (romance)
Direção: Sean Walsh
Produção: Sean Walsh, Mark Byrne
Fotografia: Ciarán Tanham
Música: David Kahne
Direção de Arte: Stephen Simmonds
Figurino:Tara Van Zyl
Edição: Sarah Armstrong
Desenho de Produção: Mervyn Rowe
Elenco: Stephen Rea, Ageline Ball, Hugh O’Connor, Neilí Conroy, Eolin McCarthy, Alvaro Lucchesi, Maria Hayden, Mark HUberman, Kenneth Mc Donnell, Maria Lennon, Ciaran O’Brien, Dermot Moore, Steve Moore, Steve Simmonds, Maurice Shanahan, Adam Fox Clarke, Patrick Bergun, Aideen McDonald
Principais premiações: Prêmio de Melhor Atriz no Irish FIlm and Television Awards, além das indicações de Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Talento Revelação (diretor Sean Walsh)
Mas aí vocês me perguntam: E o que o U2 tem a ver com o Bloomsday caro, autor? Ora, eles são irlandeses e com certeza devem ter comemorado o Bloomsday uma vez na vida e além do mais é um ótimo pretexto para colocar um vídeo deles cantando “Sunday Blood Sunday” , música sobre o Domingo Sanguento irlandês, que é um dia que merece ser lembrado também, mas aí já é tema para outra postagem…
Tenham um ótimo Bloomsday, Namastê!
Joseniz
já escreveu
10 posts no
Asfixia.
Joseniz Guimarães é licenciado em Artes Cênicas pela UFRN (RN), professor de artes, quadrinhista das trevas e luz, ativista social, eterno membro da Sociedade Teatral de Atores Infames, membro da República dos Quadrinhos,colaborador do CENOTEC (Laboratório de Estudos Cenográficos e Tecnologias da Cena) na UFRN, pesquisador e um viciado em artes onde já experimentou de tudo. Costuma respirar arte pra não morrer no Asfixia.





Rudemangueboy
jun 16th, 2009
Acho importante também comentar que este livro infelizmente só tem duas traduções no Brasil, é dizem que o verdadeiro teste de proeficiencia em inglês é le-lo no idioma original. é uma pena que se comemore um feriado para se assistirem filmes aqui em Natal, já que muitos dos nossos pseudo-intelectuais não leram o livro e depois falam “mas ele JÁ teve sua importância…”, e atê mesmo os intelectuais não conseguiram chegar ao fim.
Joseniz
jun 16th, 2009
Obrigado rudemangueboy, este dado é importante sim, acrescento dizendo que quem quiser ler este livro deve ler antes “A Odisseía” de Homero.
Afinal de contas a leitura fica muito mais divertida lendo a odisséia antes e perceber como James Joyce atualizou esta história levando para um ambiente contemporâneo irlandês. Eu acho uma boa idéia a exibição de filmes sobre o assunto em Natal, por dois motivos:
O primeiro é a iniciativa, não é fácil criar e organizar um evento como este em Natal.Qualquer tipo de iniciativa deste tipo tem que ser respeitada e amplamente divulgada.Quem sabe este pessoal não se organiza novamente e cria eventos falando sobre Guimarães Rosa(adoro Grande sertão: Veredas) ou Machado de Assis(deste aqui eu gosto de memórias póstumas e quincas borba)futuramente?Mas, antes de qualquer coisa considero bem melhor que eventos “culturais” como o Carnatal(isto sim, que é triste pra caramba).Seria legal se atores, músicos,poetas e quadrinhistas se mobilizassem também.
O Segundo é que o evento pode despertar novos leitores,que não precisam ser pseudo-intelectuais,mas apenas leitores mesmo! interessados em discutir o assunto, isso já seria uma grande evolução.
Rudemangueboy
jun 16th, 2009
concordo com você jozeniz. Embora na minha opinião era para ter um dia dedicado a literatura nacional, feriado como o bloomday. Minha crítica foi dirigido a alguns críticos que não leem o livre de Joyce e menosprezam sua importância. A obra é difícil e cara de achar, uma pena que a LP&M nunca lançou versão. Acho que qualquer um pode lê-la. Na verdade, após ler o Magnífico FUN HOME, e ter trabalhado com A ODISSÉIA este semestre, fiquei deveres interessado em ler ULISSES. Dizem que a tradução feita pelo Houais é ainda mais difícil que ler o original em Inglês. Ou seja, vou atrás da tradução da professora Bernardina.
Alexandre_dag
jun 17th, 2009
Muito bom teu texto. Lembro-me de um documentário que vi na Tv Cultura, “Grandes Mestres da Literatura”, onde há a dramatização da criação dessa Obra. Não Li o livro, mas com certeza vou atrás, ainda mais depois das dicas de tradução do Rudemangueboy.