Dicionário de Filmes Brasileiros
Escrito em 02. ago, 2009 por Reginaldo Zaglia | Tema: Comportamento, Resenhas
Uma das publicações mais importantes já lançadas sobre cinema (nacional ou internacional) chega á sua 2ª edição, revista e atualizada. O Dicionário de Filmes Brasileiros – Longa-Metragem de Antônio Leão da Silva Neto é uma obra de referência de valor incalculável.
O autor Antônio Leão da Silva Neto (52), cinéfilo que freqüentava sessões de cinema no bairro do Ipiranga (Capital, SP) logo nos anos 60, lançou a primeira edição deste dicionário em 2002 e teve sua tiragem de seis mil exemplares esgotados em 2004. Para lançar esta nova edição contou com o apoio financeiro do Fundo Nacional de Cultura. E uma parceria com o IBAC – Intituto Brasileiro de Arte e Cultura, fundado em 2004. No Conselho de Notáveis do IBAC encontramos personalidades representativas da vida nacional como Juca Kfouri, Inezita Barroso, Ariano Suassuna, Aldo Rebelo, Celso Sabadin, Milton Gonçalves, entre outros.
Em cerca de 1.150 páginas temos a chance de conhecer todos os filmes produzidos no Brasil, que se tem conhecimento. São 4.770 filmes citados cuja produção data de 1908 á 2009. O trabalho é tão meticuloso que você descobrirá, por exemplo, quais as canções feitas por Marcos e Paulo Sérgio Valle para o documentário “O Fabuloso Fittipaldi” de 1973. Foram criadas nada menos do que 226 siglas para todo tipo de informação que possa ser encontrada nas fichas técnicas, que em sua grande maioria incluem nomes de diretores de fotografia, maquiadores, produtores, distribuidores, canções, cabeleireiros, etc. Filmes em que o autor não teve acesso á uma sinopse oficial, foram colocadas descrições das principais cenas, a partir dos filmes assistidos em cópias raras, cedidas a Cinemateca Nacional, como por exemplo “Alfredo Baumgarten” (29). Dados como bilheteria e datas de estréias são enriquecidos com informação de cinemas que exibiram filmes clássicos, podemos citar “Garota Mineira” (51), que foi exibido em São Paulo a partir de 17/04/1952 no (cinema) Star e São Carlos.
Nos comentários incluídos em cada filme conseguimos encontrar biografias resumidas de grandes profissionais, não apenas diretores ou atores e atrizes, mas também roteiristas, diretores de fotografia e produtores. Encontramos também textos quase que na íntegra postados em blogs renomados, como, por exemplo “Garotas do ABC” (02) de Carlos Reichenbach, que contém um texto escrito pelo próprio diretor, em seu blog “Olhos Abertos”.
Cerca de 800 filmes foram acrescentados e mais de 2000 corrigidos e ampliados. Esta 2ª edição teve algumas alterações, como a inserção do nome dos personagens em muito dos títulos citados.
Como deixou registrado o diretor e produtor Daniel Filho no Prefácio, sobre o pouco caso que o Brasil sempre teve com sua memória, principalmente a artística, “vai nos restar ler estas páginas e pensar com saudade no que foi feito de nossa história”.
Quando coloquei minha mão nesta obra gigantesca, primeiramente admirei a belíssima capa produzida por Paulo Humberto Ludovico de Almeida e Carlos Zuffellatto, logo em seguida folheei rapidamente, parando aleatoriamente em algumas páginas para ter noção do que encontraria nos textos de cada filme. Não demorou mais que um ou dois minutos para que procurasse um filme que havia assistido e queria saber algo mais: “Nas Ondas do Surf” (78) de Lívio Bruni Jr. O que eu descobri? O nome de todos os surfistas (nacionais e internacionais) daquele circuito, pegando onda no Havaí, Saquarema e Arpoador, com trilha sonora de A Cor do Som. Voltei 20 anos no passado, sentado no sofá da sala de um primo ex-surfista, assistindo estas cenas em VHS alternativo que ele conseguiu com um amigo no Rio. Agora entendi o que Daniel Filho estava querendo dizer em seu prefácio.
Para adquirir o livro entre no site www.ibacbr.com.br, que faz um trabalho excepcional para conservar a memória artística cultural do Brasil. Se você possuir alguma revista, disco, livro e dvd; e esteja pensando em desfazer do acervo, entre em contato com o IBAC e coopere com este trabalho.
Reginaldo Zaglia
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Asfixia.
Jornalista. Funcionário da rede de 80 lojas da 100% Vídeo desde 1996. Consultor de Cinema da empresa desde 2003, atuando também como Editor (único) do Portal e Blog 100% Vídeo. Editor da Revista 100% Vídeo desde 2004.




Claudia Viana Calheiros
ago 2nd, 2009
Nossa! Muito importante esse texto, eu nem sequer sabia que o Brasil tinha uma cena cinematografica que daria um livro tão grosso! heheh Parabens ao autor pela iniciativa.
Milena Azevedo
ago 2nd, 2009
Primeira participação do mais novo colaborador do Asfixia. Valeu, Régis! Você conhece muito sobre a sétima arte e com certeza dará belas dicas pra gente. Esse dicionário é um prato cheio para cinéfilos e eu vou querer o meu. Ah, importante também mencionar e divulgar o trabalho do IBAC para que a nossa cultura não fique jogada às traças.