[ESPECIAL FIQ] As exposições do FIQ
Escrito em 17. out, 2009 por Milena Azevedo | Tema: Especiais, HQs
Durante o FIQ 2009, foram várias as exposições que estavam à espera do olhar mais apurado (e abobado) dos incautos visitantes que foram até o Palácio das Artes, bem como ao Parque Municipal, aos Centros de Cultura de BH e à Casa do Baile, no Complexo Arquitetônico da Pampulha. Não pude visitar todas elas, por isso destaco aqui as que mais me cativaram: Batman 70 anos, Quadrinhos Chineses, galeria dos artistas convidados e o 1° Salão Internacional de Humor de BH.
A exposição Batman 70 anos, que teve como curador o colecionador Ivan Freitas, era pra dar tilt na cabeça de muitos fãs, além de arroubos de babas e olhares atônitos, que passeavam entre artes originais, pin ups, posters, exemplares de HQs importadas e action figures do Cruzado Embuçado.
Logo no início, já caiu o meu queixo ao ver a arte original de Bob Kane (com dedo não creditado do Bill Finger, é claro), com selinho de autenticidade e tudo. E teve até espaço para o Superman roubar a cena, pois estava lá uma pérola (que deve vale uma pequena fortuna): Action Comics # 1, autografada pelo Jerry Siegel.
A arte dos brasileiros marcou presença na exposição: Mike Deodato Jr, Ed Benes, Joe Bennett, Renato Guedes, Mark Teixeira, Rafael Albuquerque e até Rafael Grampá, que fez um pin up da Dupla Dinâmica, especialmente para o evento.
Ivan Freitas organizou a exposição por décadas (que iam desde o final dos anos 1930 até hoje) e por personagens ligados ao Batman, como Gordon, Coringa, Asa Noturna, Batgirl, a Trindade, os Renegados, as Aves de Rapina e O Sombra (um dos personagens que inspirou Bob Kane e Bill Finger na concepção visual do Morcegão), com um espaço dedicado às action figures assinadas por artistas
como Alex Ross e Frank Miller, além de uma incrível coleção de bat-móveis.
Entre artes originais de Brian Bolland, Alex Ross, Alex Maleev, Neal Adams, Dick Giordano, José Garcia-Lopez, Michael Zuli, Kyle Baker, Lee Bermejo, Mike Zeck, Eduardo Risso e Ben Templesmith, também estavam expostas inúmeras edições de Detective Comics, World´s Finest, Batman, The Brave and the Bold, Batman vs. Hulk, The Joker, Arkham Asylum e diversos especiais.
Eu conferi essa exposição umas três vezes, porque sempre havia um detalhe que você queira ver e a multidão não deixava.
Passemos agora para a exposição dos Quadrinhos Chineses, chamados de manhuas.
Embora eu já estivesse acostumada, nesse FIQ, a ter surpresas boas logo de cara, ver o trabalho do Benjamin foi de arrebentar a boca do balão. As pessoas que viram essa exposição, tenho certeza, ficaram tão encantadas quanto eu. Pena que não anotei os nomes dos artistas chineses,
mas deixo as imagens falarem por mim.
Quanto à galeria dos artistas convidados, como é usual em cada edição do FIQ, é algo bacana porque podemos entrar em contato mais direto com artistas que estavam ministrando palestras e lançando graphic novels e compilações de tiras, como o Jens Harder, o Reinhard Kleist, o Liniers, o Guy Delisle, o Ben Templesmith, o Craig Thompson, o Juan Diaz Canales, o Olivier Tallec e a Gabriella Giandelli.
E para finalizar, fomos conferir o 1° Salão Internacional de Humor de BH, que está em exposição até o dia 18 de outubro, na Casa do Baile, obra concebida por Oscar Niemayer, dentro do Complexo Arquitetônico da Pampulha.
Foi uma manhã em que eu, Wendell e Luciana andamos muito e quase contornamos a Lagoa da Pampulha. Queríamos visitar primeiro o Museu de Artes, mas terminamos deixando-o por último, numa escolha um tanto quanto forçada pelas circunstâncias da nossa desorientação de turistas apatetados. Um erro que terminou sendo acerto, pois visitamos a Casa do Baile, ainda não tão cansados.
O tema desse Salão de Humor era o lixo, e estavam em exposição muitas caricaturas e cartuns de diversos países (foram recebidos mais de mil trabalhos de 46 países), além de uma seção especial só com cartunistas mineiros e outra com cartunistas iranianos. Destaco os trabalhos Marcos Silva (cartuns tridimensionais feitos com papel reciclado) e do Rick F. C. (Michael Jackson – Black ou White).
O próximo e último artigo sobre o FIQ 2009 será sobre os quadrinistas independentes.
Milena Azevedo
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Asfixia.
Milena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Discípula de Rilke e Eisner, prefere os textos simples e eficazes, sem muito floreio-vazio-pseudointelectualóide. Aprendeu com Heródoto e com Burroughs a relatar o que vê e ouve e a inventar o que não consegue enxergar.



