O paradoxo John Connor
Escrito em 13. jun, 2009 por Francisco Alexandre | Tema: Resenhas, Sétima Arte
Ao analisar a franquia “O Exterminador do Futuro” (Terminator), nos deparamos com certas incoerências no roteiro, em termos cronológicos, a Skaynet e o prórpio John Connor não existiriam sem viagens de seres de um tempo num futuro em que ambos “já” existem.
O decorrer dos filmes nos mostra que a criação de autoconsciência na Skynet, e a decisão da mesma sobre o futuro da humanidade era algo inevitável e independente dos processadores ou braços mecânicos encontrados nas fabricas Cyberdyne, mas e John Connor? Como é que alguém pode existir, antes de seu pai nascer?
Antes de nos aventurarmos no entendimento desse paradoxo, devemos levar em conta alguns conceitos de percepção temporal.
Tentando ao máximo simplificar os paradigmas temporais, temos o presente, passado e futuro como indicadores de fenômenos, auxiliando o conceito de causa e efeito. Se temos como existência aquilo que percebemos, tocamos ou sentimos de alguma forma, só existe o presente, nós só existimos sempre no presente, não podemos tocar algo no passado, mesmo sendo algo antigo, esta coisa está aqui, agora. O passado nos é apresentado incerto, dependente de provas muitas vezes, e ainda mais de nossa memória, sendo assim passivo de alteração. O que de fato não existe é o futuro. Ele é extremamente incerto, podendo uma pessoa prever certo evento isolado, porém nunca em sua totalidade, não existimos no futuro, pois sempre estamos no presente. Com isso, temos Kyle Reese e seu presente em 2029, guerreiro da resistência, se ofereceu para ir a 1984, salvar Sara Connor, a mãe do homem que lideraria a humanidade contra as máquinas. 1984 agora era o presente para Kyle Reese, como conseqüência de sua viajem, o ano de 2029 que ele conhecia não era mais o seu futuro, nem o de ninguém da raça humana; 2029 adquiria características de um passado breve. Para qualquer expectador do filme, Kyle havia vindo do futuro, porém para as percepções do mesmo, ele veio do passado, o futuro era incerto, dependendo não somente do sucesso da sua missão, mas também da capacidade de sedução sobre Sara Connor e sua consequência.
Segundo Sara Connor, Kyle Reese era o pai de John Connor, essa certeza provavelmente se deu por ela não ter contato intimo com nenhum homem durante os meses que sucederam os eventos da vinda do primeiro exterminador, com isso qual John Connor existia no passado/futuro alternativo, que veio Kyle Reese? A resposta é simples, nenhum.
Kyle Reese viajou para 1984 com uma missão certa, proteger a mãe de John Connor, porém esse evento geraria “O John Connor”, um homem preparado “pela mãe” desde cedo, para liderar a humanidade. Mas, e o 1984 sem a viagem de Kyle? O que ocorreria se o pai de John Connor não tivesse viajado para “o passado”? Lembrando que essa realidade faz parte do universo de origem de Kyle Reese:
• Sara Connor, não teria motivo algum para treinar um filho desde cedo para liderar a humanidade contra o que quer que seja. Considerando o que temos da mesma no primeiro filme, seria uma mulher conformista com seu emprego de garçonete e namorados irresponsáveis, embora tudo isso, se seguisse sem sofrer nenhum trauma forte, manteria a lucidez e não haveria mínima possibilidade da mesma treinar qualquer um de seus rebentos para um apocalipse cibernético.
• John Connor não seria o filho treinado para o futuro, pois ninguém voltou no tempo para avisar ninguém sobre o que ocorreria, muito menos para fins sexuais.
• A Skynet ficaria autoconsciente de qualquer jeito, logo, a humanidade estava condenada, um a mais, um a menos não influenciaria nos cálculos que levarão o computador a decidir por “exterminação”.
O homem é político, e a política é um tipo especial de loucura, pois o louco aponta o que não existe e é ignorado, já o político aponta o que não existe e é ovacionado. Os mitos surgem quando a humanidade mais precisa, e num momento de desespero, onde a raça humana estava sendo dizimada, onde crânios enchiam as ruas e os que quisessem sobreviver deveriam se esconder como ratos, alguém, seja gênio ou louco, porém certamente um político, criou o Mito, John Connor, e fez com que vários, inclusive Kyle Reese, acreditassem em sua existência, porém não só isso, enganaram até as máquinas.
Em uma das passagens do filme “Exterminador do Futuro”, o primeiro da franquia, Kyle afirma que as máquinas não tinham registro algum sobre a família de Sara Connor, ele estava com a vantagem pois possuía a foto. Graças a isso, o primeiro exterminador mandado massacrou em ordem alfabética, todas as Sara Connor que haviam naquela cidade. Pensemos então, se as máquinas não possuíam registros de ninguém da família de Sara Connor então, não havia registro de John Connor, de outra forma, não haveria motivos para voltar e matar a Mãe, se a ameaça real era o filho.
Mas e a foto que Kyle trazia, e a afirmação do mesmo ter sido treinado pelo próprio John Connor, como esclarecer isso?
O nome John Connor poderia ter sido usado por qualquer guerreiro que fizesse parte do núcleo que criou o mito, e de fato esse guerreiro, que até poderia ser eu, você ou mesmo algum mexicano que teve a vida difícil na fronteira dos EUA, e quando criança para sobreviver tirava fotos de estradeiros e turistas e vendia por 5 ou 4 dólares. Talvez ele até tenha uma foto antiga de uma linda loira que não quis pagar nada, e ele guardou por recordação, muita coisa pode acontecer nesses mundos de realidade alternativa.
Uma grande prova que John Connor não existia no universo futuro do primeiro filme da franquia é que o mesmo não aparece em nenhum flahs back do Kyle, nem mesmo no sonho de Sara, sendo visto somente no início do segundo filme, onde sua existência estava garantida.
Não sei se essa era a real intenção de James Cameron, mas mergulhei na franquia nos últimos dias, e quando põem um sudoku na minha frente, eu num sossego enquanto não resolvo.
Francisco Alexandre
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Francisco Alexandre Ferreira (Xan) é designer gráfico, fotográfico webdesigner e Jornalista. Já atuou na área de quadrinhos como roteirista e desenhista e foi professor de desenho. Ama cinema, literatura, Heavy Metal e cachorros.




Mauricio Rocha passos
fev 13th, 2010
Todos estão comentando muito sobre os atores que interpretaram Jonh Connor, mas não podemos esquecer de ARNOLD SCHWARZENEGGER que interpreta o T-850, sem ele talvez o filme Terminator não teria alcançado tanto sucesso, HASTA LA VISTA BABY…
alexandre_dag
fev 14th, 2010
Connor era mais um messias da coragem e perseverança…
orlando augusto stock
fev 15th, 2010
este paradoxo é sobre o john connor.Arnold Schwarzenegger contribuiu e muito para o sucesso da saga,mas se formos realmente a detalhar sobre quem é a personagem mais importante da saga,essa personagem é sem duvida nenhuma John connor pois a saga gira á volta dele.
orlando augusto stock
fev 15th, 2010
Connor era considerado um messias porque representa a esperaça e perseverança á humanidade que precisava de um grande incentivo para combater as máquinas. Connor tornou-se líder da Resistência porque era a unica pessoa entre os sobreviventes do Dia do Julgamento que conhecia as intençoes da Skynet e seus exterminadores.Ele conhecia,datas,rotinas,e concerteza tinha um grande conhecimento de tecnologia e armamento nuclear.Connor devia ter tido um treinamento paramilitar.
orlando augusto stock
fev 19th, 2010
Pessoal há uma coisa que ainda não discutimos.Nunca foi dito de que maneira é que John Connor descobriu o plano da Skynet em enviar um exterminador para 1984 para matar a mãe dele,a Sarah Connor e ter enviado Kyle Reese para trás no tempo para protegê-la.É provável que no futuro a Resistência tenha capturado um exterminador T-800 e Connor teria reprogramado para servir de espião para ter acesso ás informações da Skynet.
orlando augusto stock
fev 19th, 2010
Outra questão de que eu queria levantar é acerca dos Infiltradores,exterminadores que se infiltravam nos esconderijos onde humanos estavam escondidos.Os Infiltradores tinham a intençao de matar todos os humanos,mas tenho a certeza de que a verdadeira intençao desses Infiltradores seria apanhar John Connor num desses esconderijos e matá-lo.
orlando augusto stock
abr 22nd, 2010
Connor poderia ter incentivado e muito a resistência no campo psicológico a lutar contra as máquinas mas isso não era suficiente.Connor provavelmente poderia ser também um grande estratega.
Mauricio Rocha passos
abr 22nd, 2010
Acredito que teremos mais filmes sobre Terminator, cntando mais sobre o John Connor