10 Comentários para “Quem precisa de desenhista? Conheça o “Roteirista””

  1. Milena Azevedo

    jul 11th, 2009

    Que belo texto, Joseniz! Esse é pra muita gente ler e entender as diferenças entre composição de roteiros e a relação entre roteiristas e desenhistas (que é melindrosa, podem apostar).

    Embora aqui no Brasil o roteirista não seja tão valorizado quanto lá fora (vide França, Itália, Inglaterra, Japão), há profissionais de mão cheia, como Gian Danton, Wellington Srbek, Daniel Esteves, Jozz e Antonio Cedraz, Marcelo Quintanilha, só para citar alguns.

    Sem os roteiristas, não há história.

    O trabalho criativo de uma HQ é dividido entre todos os que participam dele. Muitos se esquecem do arte-finalista (“aquele que cobre o desenho”), que é tão menosprezado quanto o roteirista, e também do colorista (em alguns casos) e do letreirista.

    Graças a Deus que os meus “partners” desenhistas são muito gente fina e sempre há uma troca de ideias que enriquece a história. Muitas vezes a gente que escreve não tem a experiência visual do desenhista, e as dicas deles de composição/diagramação devem ser levadas em conta. Procuro deixar meus roteiros abertos para as sugestões deles. O que não aceito é quando o desenhista quer alterar algo da história em si, modificando atitudes de pesonagem ou cenários ou a temporalidade da narrativa.

  2. Milena Azevedo

    jul 11th, 2009

    Só para deixar claro, quando mencionei a questão do desenhista modificar algo da narrativa e dos personagens, quero dizer que há quem faça modificações sem conversar com o roteirista. Às vezes, trocando ideias, pode ser que seja necessária uma modificação, mas tem que haver diálogo.

    Um exemplo disso foi o meu conto Lâminas, que o Estiva quis desenhar e Guerra o adaptou num roteiro massa. As ideias de Guerra enriqueceram muito a história, e foram ideas que eu não havia pensado, a princípio. A gente conversou e eu fiquei encantada com a perceção de Guerra e sua experiência como ator, pois ele foi a fundo nos dilemas dos personagens. Não posso contar detalhes porque essa graphic novel ainda está sendo produzida e a gente está à procura de editoras interessadas em publicá-la. Quem sabe num making of?

    OBS: Joseniz, paranoia, agora, é sem acento.

  3. joseniz

    jul 11th, 2009

    Concordo contigo Milena. Toda a equipe criativa tem que ser reconhecida.Sou fã da Lilian Mitsunaga, considero ela a letrista brasileira com o trabalho mais formidável de todos. Eita!Paranóia? Sem acento? Tá com a muléstia! Ainda não estou acostumado com a reforma ortográfica.

    Namastê!

  4. Natalia

    jul 11th, 2009

    Parabens pelo texto, foi brilhante!

  5. joseniz

    jul 11th, 2009

    Obrigado Natália, vou continuar me esforçando por aqui.

    Namastê!

  6. Guerra

    jul 13th, 2009

    Vou ter que comentar! Passei por aqui super tímido, pensando em ler e dar o fora, mas quando eu vi o comentário da Milena em relação ao nosso trabalho,”Lâminas”, senti como que uma invocação! Essa questão de união entre as diferentes (ou nem tão diferentes assim) colaborações de quadrinhistas num mesmo trabalho reflete aquilo que transparece tanto nas relações humanas e animais: A Territorialidade.
    O espaço da prática criativa, tal como outros focos de trabalho e dispêndio de energia, não existe sem aquele personalismo, o qual todos nós aplicamos à objetos de nossa estima; estamos ligados àquilo que criamos, são nossos “parimentos pessoais”. Assim, desvencilhar-se dessas ligações é como apartar-nos de íntimas verdades! Daí as resistências em se trabalhar criativamente em grupo: A crença de que o “Eu” fica menor quando entre o “Nós”; ainda mais quando o “Nós” em questão é formado por várias vozes ativas de uma vez!
    Mas o Artista precisa reconhecer o Belo, o Estético, mesmo quando não diretamente ligado a ele! Quando Caetano Veloso diz que “Narciso acha feio o que não é espelho”, é sob as margens deste assunto que ele está a caminhar: Se num trabalho coletivo, um artista só compreende a participação externa, como subtração da sua…Menino, esse cara tem mesmo é que trabalhar sozinho! Dessa forma, produzirá até melhor! Mas quando há o ouvir-se mútuo, onde a comunicação, de fato, adiciona àquele substrato o que apenas um só profissional não adicionaria…Aí existe o pensar da Arte como um bem comum, como Continente, e não como Ilha. Acho que era isso que eu tinha a dizer: Derrubem as suas cercas e espalhem os bois de ambos os campos!

    Prometeu não ficou com o fogo só pra ele, certo?

  7. Guerra

    jul 13th, 2009

    Ah, sim! E só pra constar…Não percam, dentre em breve, o lançamento de “Lâminas”, adaptação em quadrinhos do conto homônimo de Milena Azevedo! Quadrinhos para Adultos!

  8. joseniz

    jul 13th, 2009

    Concordo com o que o Guerra escreveu,é por aí mesmo.

    Mas quando Guerra falou de “Derrubem as suas cercas e espalhem os bois de ambos os campos!” me lembrei na hora do dia em que fomos cercados por várias vaquinhas mimosas à noite.Tivemos que passar por debaixo da cerca.

    :)

    Trabalhem para terminarem o material e publicar, quero ver o trabalho completo e publicado. Namastê!

  9. joseniz

    jul 13th, 2009

    Só pra constar, Guerra é uma das pessoas mais legais de se trabalhar em equipe. Respeito muito este cabra e seu trabalho.Legal, que não tenha lido e caído fora e ter contribuído com seus conhecimentos neste post.Espero que mais pessoas percam a vergonha e comentem nos posts ninguém sabe mais que ninguém aqui só temos conhecimentos diferentes para compartilhar.

    Também estou animado com as parcerias que foram firmadas este ano, incluindo esta com o asfixia.A maioria das pessoas com quem estou trabalhando são legais confiáveis e contribuem cada um ao seu modo para enriquecer o trabalho, o mesmo vale para os leitores é como um simbiose saca? Se tudo correr bem vai ser um ano produtivo para todo mundo.Pelo menos é o que desejo.

    Namastê!

  10. Camilo de lelis

    jul 22nd, 2009

    Matéria brilhante que coloca o roteirista no seu devido valor.

    Eu sou Roteirista tb, ou pretendo ser, he he…


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