RUBEM FONSECA: Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos
Escrito em 13. jan, 2009 por Fernando Aureliano | Tema: Cabeceira, Crônicas
Nascido em 1925 e com 26 livros publicados, Rubem Fonseca inaugurou uma nova corrente na literatura brasileira contemporânea que ficou conhecida em 1975 através de Alfredo Bosi como brutalista, mas não se deixe induzir acreditando que este autor é um mero retratista da violência urbana. Sem dúvidas, Rubem Fonseca é o maior autor brasileiro vivo.
Este autor me conquistou desde o primeiro parágrafo do primeiro livro que li dele, e tem sido assim em toda a sua literatura. Ele é um dos únicos autores que conheço que conseguem definir seu personagem e sua história logo nas duas primeiras páginas do livro. Os personagens centrais de seus romances geralmente são policiais, delegados, detetives e escritores. Mas não pense em comprar um livro dele esperando encontrar detetives com cara de herói, aliás, não esperem nenhum herói. Boa parte de seus personagens são amorais, não se entendem dentro de uma determinada realidade, assim como seus vilões que fazem as piores coisas sem o menor peso na consciência. Em nenhum momento esses vilões são atormentados pelo certo ou errado. O mundo é cruel. A vida é medo, dor e prazer. Não espere outra coisa dele.
“O homem é um animal solitário, um animal infeliz, só a morte pode consertar a gente.” Os Prisioneiros
Rubem Fonseca é reconhecidamente contrário a exibição. Como Dalton Trevisan, adora o anonimato. É descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor. Jamais espere vê-lo em uma convenção ou palestra, e com certeza jamais irá vê-lo no programa do Jô, apesar de ambos serem amigos; o apresentador já o convidou várias vezes, mas ele não aparece em público, de fato, é uma luta até mesmo encontrar uma simples foto sua na internet. Ele não publica nem sequer fotos suas na orelha de seus livros. Claro que isso não o faz melhor nem pior que ninguém, apenas não é de seu feitio nem do seu agrado. Afinal, como ele mesmo diz em um de seus livros: “Que se danem os escritores, o que me importa são os livros!”
“Rir é bom, mas pode foder a vida de uma pessoa” Rubem Fonseca
Suas obras costumam por a nu os dramas humanos desencadeados pelas ações transgressoras da ordem. Alguns de seus livros são quase que uma guerra civil não declarada, e seus temas são sempre fortes e polémicos. No caso de “Agosto”, por exemplo, o plano de fundo do romance é a história brasileira na época de Getúlio Vargas, mas ele não deixa de manter os elementos que constroem sua literatura e que fez seu trabalho ser adorado em diversos países.
“Deixo as mulheres bonitas para os homens sem criatividade.”
Embora ele seja um romancista genial, foi nos contos que Rubem Fonseca se fez. Seus primeiros livros foram de contos, os quais mantêm a mesma força de seus romances. E confesso que apesar de eu ainda não ter lido um livro ruim dele, digo que seus contos são ainda mais geniais. Me parece que nos contos é onde ele mais “viaja”. Neles você consegue encontrar personagens os mais variados, e personagens variados são mentes diferentes. Mentes pelas quais nunca imaginei passar, pensamentos que jamais imaginei ler, personagens que em nenum momento pude conceber. Histórias fascinantes e incríveis. Alguns de seus contos chegam a ser quase que non-sense.
“A coerência é uma característica vegetal que eu felizmente não possuo.” Mandrake – Grande Arte
Rubem Fonseca também já escreveu filmes, sendo que seu último trabalho nesse ramo foi “O Homem do Ano”, que pra mim ficou fantástico! Ele recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo roteiro de “A grande arte”, filme dirigido por Walter Salles Jr. e baseado em um de seus livros. Escreveu também “Coruja de ouro”, roteiro Relatório de um homem casado, filme dirigido por Flávio Tambelini.
Enfim… incrivelmente, esse foi o primeiro autor que li na minha vida, antes dele só lia quadrinhos, e para mim foi chocante, aos 13 anos, me deparar logo com um autor desses. Foi até mesmo assustador. Mas foi perfeito, sua literatura me ajudou a construir muito do que sou hoje. Nunca esperei demais dele, e ele sempre me surpreendeu. Leio Rubem Fonseca a 10 anos e seus livros continuam tão bons quanto aquele primeiro parágrafo que li.
Leio os jornais. A morte do muambeiro da Cruzada nem foi noticiada. O bacana do Mercedes com roupa de tenista morreu no Miguel Couto e os jornais dizem que foi assaltado pelo bandido Boca Larga. Só rindo.
Faço um poema denominado Infância ou Novos Cheiros de Buceta com U: Eis-me de novo/ ouvindo os Beatles/ na Rádio Mundial/ às nove horas da noite/ num quarto/ que poderia ser/ e era/ de um santo mortificado/ Não havia pecado/ e não sei por que me lepravam/ por ser inocente/ ou burro/ De qualquer forma/ o chão estava sempre ali/ para fazer mergulhos./ Quando não se tem dinheiro/ é bom ter músculos/ e ódio./
Leio os jornais para saber o que eles estão comendo, bebendo e fazendo. Quero viver muito para ter tempo de matar todos eles.
Texto retirado de “O Cobrador”
Fernando Aureliano
já escreveu
69 posts no
Asfixia.
Mutável, ambivalente e perturbado. Diretor de animação e ousado. Adora cachorros e cerveja; usa Apple e não vive uma semana sem ir ao bar jogar conversa fora; não sabe mais escrever a mão e ama a música; é ateu e não tem papas na língua. É a típica pessoa que, ou você ama, ou você odeia. Não gosta de quem concorda com ele, e admira as pessoas que discordam de suas ideias. É viciado em informação e está sempre disposto a se reinventar.




Evelin
fev 19th, 2010
Muito bom mesmo! eu adorei ler e aprender um pouco mais sobre Ruben Fonseca , realmente ele é genial .. eu tenho 15 anos de idade e o meu escritor favorito é o Ruben Fonseca .. gosto do estilo dele e a realidade que ele coloca em seus romances , o meu livro favorito é o Bufo e Spallanzani