<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
	xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
>

<channel>
	<title>Asfixia &#187; Contos</title>
	<atom:link href="http://www.asfixia.net/asfixia/tag/contos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.asfixia.net/asfixia</link>
	<description>na verdade, é oxigênio para quem ainda não morreu de paralisia cerebral.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 16 Jan 2010 02:05:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
<!-- podcast_generator="podPress/8.8" - maintenance_release="8.8.5.1" -->
	<copyright>2008-2009 </copyright>
	<managingEditor>fernandoaureliano@gmail.com (Asfixia.Podcast)</managingEditor>
	<webMaster>fernandoaureliano@gmail.com (Asfixia.Podcast)</webMaster>
	<category>posts</category>
	<ttl>1440</ttl>
	<image>
		<url>http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/plugins/podpress/images/powered_by_podpress.jpg</url>
		<title>Asfixia &#187; Contos</title>
		<link>http://www.asfixia.net/asfixia</link>
		<width>144</width>
		<height>144</height>
	</image>
	<itunes:new-feed-url>http://www.asfixia.net/asfixia/?feed=podcast</itunes:new-feed-url>
	<itunes:subtitle>Asfixia, na verdade, é oxigênio para quem ainda não morreu de paralisia cerebral.</itunes:subtitle>
	<itunes:summary>Asfixia, na verdade, é oxigênio para quem ainda não morreu de paralisia cerebral.</itunes:summary>
	<itunes:keywords>asfixia, entretenimento, nerd, geek, cinema, quadrinhos, cultura, humor</itunes:keywords>
	<itunes:category text="Arts" />
	<itunes:category text="TV &#38; Film" />
	<itunes:category text="Comedy" />
	<itunes:author>Asfixia.Podcast</itunes:author>
	<itunes:owner>
		<itunes:name>Asfixia.Podcast</itunes:name>
		<itunes:email>fernandoaureliano@gmail.com</itunes:email>
	</itunes:owner>
	<itunes:block>no</itunes:block>
	<itunes:explicit>no</itunes:explicit>
	<itunes:image href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/plugins/podpress/images/powered_by_podpress_large.jpg" />
		<item>
		<title>Voyeur</title>
		<link>http://www.asfixia.net/asfixia/voyeur/</link>
		<comments>http://www.asfixia.net/asfixia/voyeur/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 03:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geilson Volking</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[voyeur]]></category>
		<category><![CDATA[voyeurismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.asfixia.net/asfixia/?p=817</guid>
		<description><![CDATA[Quando lhe bateram a porta, dois anos após o acidente, Rogério tinha 45 anos e um copo de uísque na mão. Levemente embriagado, como de costume, apanhou a bengala e mancou em direção a entrada. Limpou a boca, acendeu a luz e abriu. — Boa noite — disse ela. Rogério, sem dizer palavra, fez menção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando lhe bateram a porta, dois anos após o acidente, Rogério tinha 45 anos e um copo de uísque na mão.<span id="more-817"></span><br />
Levemente embriagado, como de costume, apanhou a bengala e mancou em direção a entrada.<br />
Limpou a boca, acendeu a luz e abriu.<br />
— Boa noite — disse ela.<br />
Rogério, sem dizer palavra, fez menção para que entrasse.<br />
E ela entrou. Sentou-se no sofá diante da poltrona e cruzou as pernas. Estava bonita. Aliás, típico. Abriu a bolsa e tirou uma carteira de cigarros.<br />
— Se incomoda?<br />
— Não, pode ficar a vontade.<br />
Rogério se acomodou na poltrona.<br />
— Desde quando você fuma?<br />
— Já algum tempo.<br />
Pela primeira vez seus olhos se cruzaram.<br />
— Você está bem — disse ele.<br />
— Você também não está nada mal.<br />
Rogério balançou a cabeça.<br />
— Por favor, não seja irônica. Bebe? — perguntou mostrando-lhe o copo de uísque.<br />
— Não, obrigada.<br />
— Por que veio aqui?<br />
— Precisava te ver.<br />
— Já faz dois anos.<br />
— É, eu sei.<br />
— E por que tanto tempo?<br />
— Eu precisava&#8230;<br />
Rogério esticou o braço e apanhou a garrafa que estava no chão, como um cão obediente ao lado da poltrona. Encheu o copo e colocou-a no mesmo lugar.<br />
Ela olhava ao redor.<br />
— Não toquei em nada&#8230; está como você deixou.<br />
— Você tem um cinzeiro?<br />
— Em cima da mesa. Pode pegar?<br />
— Claro.<br />
— E as crianças? — perguntou ele.<br />
— Estão bem. Sentem a sua falta. Perguntam por você.<br />
— Queria vê-las&#8230;<br />
Rogério se levantou. Na estante, puxou um vinil e o pôs no toca-discos. A música começou a soar sugestiva pela sala.<br />
— Lembra-se?<br />
Ela sorriu.<br />
— Como eu poderia esquecer — disse voltando à cadeira. — Era a nossa música.<br />
— Era?<br />
Ela parou de sorrir.<br />
— Sim, Rogério, era.<br />
Ele retornou à poltrona. Tomou um trago. Massageou a perna.<br />
— E o joelho, como está?<br />
— Dói mais quando faz frio. Aí eu tomo uns analgésicos&#8230; pra aliviar.<br />
— Sei.<br />
— Como ultimamente está fazendo um calor danado&#8230;<br />
— Você tem que fazer fisioterapia.<br />
— Eu fazia&#8230; mas parei.<br />
— Por quê?<br />
— Sem saco.<br />
Ficaram em silêncio. Depois de algum tempo, Rogério murmurou:<br />
— Sinto saudades.<br />
Ela baixou a cabeça.<br />
— Não deveria ter sido assim, Marta.<br />
— A culpa não foi sua.<br />
— Todo dia eu procuro um motivo pra não me jogar daquela janela. Às vezes eu acho que não dá mais. Sou fraco. A solidão é a pior coisa que existe. É duro não ter com quem conversar.<br />
— E por que você não sai, procura fazer amigos, namorar?<br />
— Eu não consigo. Só quero ficar aqui tomando o meu uísque, escutando o meu som&#8230;<br />
— Até quando?<br />
— Não sei&#8230; até morrer, quem sabe.<br />
— Não diga isso.<br />
Rogério encheu novamente o copo.<br />
— Depois que vocês foram embora, nada mais faz sentido pra mim. Larguei o trabalho, o Partido, mandei tudo pro inferno.<br />
— Não faça isso, Rogério.<br />
— O que é que você quer que eu faça?<br />
— Há outros caminhos.<br />
— É muito fácil falar. Queria ver se estivesse no meu lugar.<br />
— Você está sendo egoísta.<br />
— Você é que está sendo egoísta. Dois anos sem dar as caras&#8230;<br />
— Eu tive meus motivos.<br />
— Outro homem deve ser um bom motivo.<br />
— Não fale besteiras.<br />
— Por que besteiras? Você é jovem, bonita. Onde quer que você esteja, sempre haverá alguém lambendo os seus pés.<br />
— Você não sabe o que está dizendo.<br />
Ele ficou em silêncio.<br />
— É, acho que não.<br />
— Olhe — disse ela—, eu sei que você está sofrendo muito. Eu também sofro com tudo isso, mas não dá. Temos que encarar os fatos. Eu não queria que fosse assim. Porém muitas vezes as coisas não saem como planejamos. Talvez pudesse ter sido diferente, mas “talvez” não muda nada, entende? Você tem que dar a volta por cima. Há muito chão pela frente. Não desista, Rogério, não desista.<br />
— Eu sei. Mas&#8230; sem vocês, sem minha família&#8230; por que não voltam pra mim? Podemos começar tudo de novo.<br />
— Não, Rogério, não dá.<br />
— Por que não?<br />
— Porque não.<br />
— Então pra que diabos você veio aqui, porra?! — gritou ele.<br />
— Pra ver como você estava.<br />
— Pois aqui estou — disse ele se levantando. — Está vendo? É isso que sobrou de mim. Restos!<br />
Silêncio.<br />
Ela apanhou a bolsa.<br />
— Tenho que ir.<br />
— Como?<br />
— Preciso ir.<br />
— Por quê?<br />
Ela se levantou:<br />
— Me leva até a porta?<br />
— Marta, por favor.<br />
— Desculpa, eu não deveria ter vindo aqui.<br />
— Não, Marta, me perdoe. Eu estou nervoso, não sei o que estou dizendo. Eu&#8230;<br />
— Tudo bem&#8230; mas preciso ir.<br />
— Fica mais um pouco.<br />
— Não dá.<br />
— Dança comigo.<br />
Ela olhou-o nos olhos.<br />
— Dançar?<br />
— Por favor.<br />
Marta ficou em silêncio por um grande espaço de tempo, escutando Ray Charles debruçado sobre o piano. Então se aproximou de Rogério e o abraçou. E naquela sala de apartamento no oitavo andar, ao som da música que era deles, somente deles, dançaram. E ao sentir que Rogério chorava, Marta o abraçou mais forte ainda, e também chorou. Pelo passado, pelo destino que poderia ter sido diferente.</p>
<p>Há cem metros dali, por trás das lentes de um binóculo, um homem no prédio ao lado observava toda aquela cena: um cara bêbado dançando sozinho às três horas da madrugada em sua sala de estar.<br />
<em></em></p>
<p><em>Esse  conto obteve o 1º lugar no Concurso de contos da Cooperativa Cultura da UFRN &#8211; 2007. </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.asfixia.net/asfixia/voyeur/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ataque Massivo</title>
		<link>http://www.asfixia.net/asfixia/ataque-massivo/</link>
		<comments>http://www.asfixia.net/asfixia/ataque-massivo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 00:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.asfixia.net/asfixia/?p=772</guid>
		<description><![CDATA[Eu lhe dei um beijo, mas ela já estava morta. Pouco tempo depois eu também estaria. Nem lembro se tive tempo de tirar meus lábios dos dela. Não éramos Romeu e Julieta. Na verdade, eu nem sabia o seu nome, mas nós já estávamos mortos. Ela sequer sabia que eu lhe beijara. No último momento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu lhe dei um beijo, mas ela já estava morta. Pouco tempo depois eu também estaria. Nem lembro se tive tempo de tirar meus lábios dos dela. Não éramos Romeu e Julieta. Na verdade, eu nem sabia o seu nome, mas nós já estávamos mortos. Ela sequer sabia que eu lhe beijara.<span id="more-772"></span> No último momento da minha vida, senti tanto desespero por dentro que a única coisa que consegui fazer foi me apaixonar. Mas havia outro homem no andar, no mesmo andar, e ele não estava desesperado.</p>
<p>A penúltima coisa que vi foi ele passar pela porta em direção as escadas do edifício. Mas não me importei, afinal, apenas o vi acidentalmente, de relance, era o único que não corria, mas eu tinha outras preocupações. A Segurei em meus braços. Eu sabia que seria o próximo,  percebi então que a amava, porque eu era como ela. A abracei e beijei, simples assim. E antes que pudesse terminar, nós já éramos iguais. Meu corpo caiu sobre o dela quase como num abraço.</p>
<p>Em seguida, a polícia também apareceu subindo as escadas, alguns com armas pequenas e amedrontados. O homem que a pouco havia seguido por aquelas escadas também era um de nós. Por ali não havia sinal de pássaros ou aviões. Em breve seríamos todos uma família ao partilhar da mesma condição, pelo menos assim eu supunha.</p>
<p>Havia muitas pessoas subindo e descendo as escadas, dava para saber os sentimentos de cada uma pela direção em que seguiam. O som dos passos nunca foi tão expressivo. Não me importei com os choros e os gritos porque àquela altura já era algo comum. Mas aqueles passos…e eu estava no chão, e aqueles passos…todo o momento em que estive vivo ali, eu realmente me senti quase como uma barata.</p>
<p>Às oito da noite não havia silêncio, apenas raspagem de sangue e coleta de corpos. O céu estava nublado, mas todos pareciam contar estrelas.</p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.asfixia.net/asfixia/ataque-massivo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Maledicência</title>
		<link>http://www.asfixia.net/asfixia/maledicencia/</link>
		<comments>http://www.asfixia.net/asfixia/maledicencia/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 14:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Edwin Abott]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[figuras geométricas]]></category>
		<category><![CDATA[Flatland]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.asfixia.net/asfixia/?p=764</guid>
		<description><![CDATA[Amigos inseparáveis são o Triângulo, o Quadrado e o Círculo. Aonde um ia, os outros dois estavam lá. No entanto, o Cubo, o Trapézio, o Octaedro, o Retângulo e até a Reta e o Ponto, não se conformavam em ver a alegria dos três amigos. A Reta era apaixonada pelo Triângulo, mas como o mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--> <!--[if gte mso 10]><br />
<mce:style><!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --></p>
<p><!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;">Amigos inseparáveis são o Triângulo, o Quadrado e o Círculo. Aonde um ia, os outros dois estavam lá. No entanto, o Cubo, o Trapézio, o Octaedro, o Retângulo e até a Reta e o Ponto, não se conformavam em ver a alegria dos três amigos. <span id="more-764"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--> <!--[if gte mso 10]><br />
<mce:style><!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --></p>
<p><!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;">A Reta era apaixonada pelo Triângulo, mas como o mesmo nunca lhe deu bola, começou a espalhar o boato de que ele não podia ver um “ângulo” que já queria se “emparelhar”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>O Ponto tinha uma rixa medonha com o Círculo. Cismou que o Círculo era o culpado pelo seu complexo de inferioridade. Saía dizendo que, com aquela gordura toda, nunca aquela “bola” conseguiria dar “a volta por cima”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>O Cubo, metido a conquistador, implicava com o Quadrado por esse ser careta. Gritava para quem quisesse ouvir que o “Quadradão” nunca tinha visto uma “aresta”. <span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>O Trapézio, o Octaedro e o Hexágono encarregaram-se de fazer com que todos passassem a acreditar naqueles impropérios. As más línguas não paravam de tagarelar sobre o Triângulo, o Quadrado e o Círculo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>O Losango e o Retângulo, mais centrados, não acreditaram nos comentários maldosos e saíram em defesa dos amigos. Tão logo, foram vítimas de rumores ainda mais bizarros.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>Enquanto todos se preocupavam em detratar o Triângulo, o Quadrado, o Círculo, o Losango e o Retângulo terminaram esquecendo-se de seus próprios afazeres e muitos setores da sociedade ficaram comprometidos. Havia problema na primeira, na segunda e na terceira dimensão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>Quem conseguiu segurar as pontas, aparando todas as arestas, unindo todos os ângulos e dando a volta por cima, foram justamente o Triângulo, o Quadrado, o Círculo, o Losango e o Retângulo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span><span> </span>O Ponto, o Cubo, o Trapézio, o Octaedro e o Hexágono sentiram-se envergonhados por terem causado tamanho estrago, e acabaram formalizando um pedido de desculpas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"><span> </span>Já a Reta, fofoqueira de primeira, não sentiu remorso algum. Essa sim passou a ser motivo de chacota, por várias gerações, em todas as dimensões.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 150%;" align="center">F<span> </span>I<span> </span>M</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 150%;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align: left; line-height: 150%;"><em>Esse conto é uma homenagem a Edwin Abott, que tão bem criticou a sociedade do final do séc. XX, em seu romance Flatland.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.asfixia.net/asfixia/maledicencia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
