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	<title>Asfixia &#187; Literatura</title>
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		<title>[PODCAST #03] Sebos</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 04:27:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Asfixia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá pessoal! Nesse episódio, Fernando, Xan, Geilson, Joseniz e o Bruce passam o dedo na lingua para virar para a próxima página e contar como foram suas experências dentro dos lugares mais fantásticos, sujos e assustadores, de onde muitos leitores compulsivos jamais voltam, os Sebos! Saiba porque sebos não tem cadeiras, porque eles ainda existem, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/Asfixia.Podcast-E03_sebos_destaque.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3645" title="Asfixia.Podcast-E03_sebos_destaque" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/Asfixia.Podcast-E03_sebos_destaque.jpg" alt="Asfixia.Podcast-E03_sebos_destaque" width="420" height="190" /></a>Olá pessoal! Nesse episódio, Fernando, Xan, Geilson, Joseniz e o Bruce passam o dedo na lingua para virar para a próxima página e contar como foram suas experências dentro dos lugares mais fantásticos, sujos e assustadores, de onde muitos leitores compulsivos jamais voltam, os Sebos! Saiba porque sebos não tem cadeiras, porque eles ainda existem, como eles surgiram e porque eles ainda são melhores que as livrarias.<span id="more-3644"></span></p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; text-align: center; margin: 0px;"><strong><span style="color: #800000;"><a href="http://www.ghq.com.br/" target="_blank"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="Promoção GHQ" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/bannerPromocaoGHQ.jpg" alt="bannerPromocaoGHQ" width="430" height="159" /></a></span></strong></p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;">Ainda continua a parceria do Asfixia com a <a href="http://www.ghq.com.br/" target="_blank">Garagem Hermetica Quadrinhos</a>. Para participar da promoção, basta comentar em qualquer post do site, para ter mais detalhes e saber quais são os prêmios ouça este episódio do podcast!</p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;"><strong>E-MAILS</strong></p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;">Vocês podem enviar emails para <strong><span style="color: #ff6600;">contato@asfixia.net</span></strong> e podem ainda enviar mensagens de voz, adicionando este mesmo endereço em sua lista do GTalk.</p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;"><strong>ITUNES e RSS</strong></p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;">Clqiue <a style="color: #555555; text-decoration: underline;" href="http://feeds.feedburner.com/asfixia">AQUI</a> para assinar o RSS do asfixia. Você pode também utilizar este mesmo endereço para assinar o podcast em seu ITunes copiando o endereço do link e indo na aba “Avançado » Assinar podcast” de seu ITunes e colando o endereço .</p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;"><strong>INFO</strong></p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;"><strong>Duração: </strong>59min</p>
<p style="padding-top: 10px; padding-right: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; line-height: 20px; margin: 0px;">Clique no botão <strong>PLAY</strong> abaixo para ouvir o episódio ou <a href="http://www.asfixia.net/asfixia/podpress_trac/web/3644/0/Asfixia.Podcast-E03-sebos.mp3" target="_blank">CLIQUE AQUI</a> para fazer o download para seu computador  <strong>(</strong><em><span style="color: #333333; padding: 0px; margin: 0px;"><strong><span style="color: #000000;">clique com o botão direito do mouse e escolha a opção</span></strong></span><strong> </strong><span style="color: #ff0000; padding: 0px; margin: 0px;"><span style="color: #ff6600;"><strong>Salvar Destino Como </strong></span></span></em><strong>para baixar o arquivo na qualidade de 64 kbps).</strong></p>
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		<itunes:subtitle>Olá pessoal! Nesse episódio, Fernando, Xan, Geilson, Joseniz e o Bruce passam o dedo na lingua para virar para a próxima página e contar como ...</itunes:subtitle>
		<itunes:summary>Olá pessoal! Nesse episódio, Fernando, Xan, Geilson, Joseniz e o Bruce passam o dedo na lingua para virar para a próxima página e contar como foram suas experências dentro dos lugares mais fantásticos, sujos e assustadores, de onde muitos leitores compulsivos jamais voltam, os Sebos! Saiba porque sebos não tem cadeiras, porque eles ainda existem, como eles surgiram e porque eles ainda são melhores que as livrarias.

Ainda continua a parceria do Asfixia com a Garagem Hermetica Quadrinhos. Para participar da promoção, basta comentar em qualquer post do site, para ter mais detalhes e saber quais são os prêmios ouça este episódio do podcast!
E-MAILS
Vocês podem enviar emails para contato@asfixia.net e podem ainda enviar mensagens de voz, adicionando este mesmo endereço em sua lista do GTalk.
ITUNES e RSS
Clqiue AQUI para assinar o RSS do asfixia. Você pode também utilizar este mesmo endereço para assinar o podcast em seu ITunes copiando o endereço do link e indo na aba “Avançado » Assinar podcast” de seu ITunes e colando o endereço .
INFO
Duração: 59min
Clique no botão PLAY abaixo para ouvir o episódio ou CLIQUE AQUI para fazer o download para seu computador  (clique com o botão direito do mouse e escolha a opção Salvar Destino Como para baixar o arquivo na qualidade de 64 kbps).</itunes:summary>
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		<title>O dia em que George Orwell teve razão</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 17:23:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[George Orwell previu em dois de seus livros (&#8220;1984&#8243; e &#8220;Revolução dos Bichos&#8221;), que um dia o poder que &#8220;organiza&#8221; as massas se manteria suprimindo todo o tipo de informação que julgasse necessário, limitando o conhecimento. Mas o que até então seria uma história de ficção acaba de se tornar realidade. O Kindle é um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>George Orwell</em> previu em dois de seus livros (&#8220;1984&#8243; e &#8220;Revolução dos Bichos&#8221;), que um dia o poder que &#8220;organiza&#8221; as massas se manteria suprimindo todo o tipo de informação que julgasse necessário, limitando o conhecimento. Mas o que até então seria uma história de ficção acaba de se tornar realidade.<span id="more-3605"></span></p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/kindle-dx.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-3606" title="kindle-dx" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/kindle-dx.jpg" alt="kindle-dx" width="192" height="192" /></a>O <em><a href="http://www.amazon.com/dp/B00154JDAI" target="_blank">Kindle</a></em> é um leitor de E-Books da <em><a href="http://www.amazon.com/" target="_blank">Amazon</a></em> que elimina a necessidade de papel &#8211; uma vez que é digital &#8211; e lhe permite acessar a internet via <em>wireless</em> ou rede <em>3G</em>. Nele você pode ler os mais diversos tipos de arquivos de texto e imagem como <em>txt, pdf, html, doc, jpg, gif, bmp e png</em>, além de poder ouvir audio-books em <em>mp3</em>. Funciona basicamente como um IPod, sendo que este é para músicas e o <em>Kindle</em> é para livros. Os livros podem ser comprados no site da <em>Amazon</em> por preços a partir de $ 0,50 e você consegue colocar mais livros nele do que jamais irá ler em toda a sua vida.</p>
<p>O que ocorre é que no dia 17 de julho de 2009, a <em>Amazon</em> acessou os leitores de e-books (Kindle) que NÃO SÃO DELES, e sim de quem os comprou, e DELETOU as cópias que existiam dos livros &#8220;1984&#8243; e &#8220;Revolução dos bichos&#8221;, ambos de <em>George Orwell</em>, alegando que foi obrigada a fazê-lo pois não retinha os direitos da publicação.</p>
<p>Ok, vamos lá! Primeiro: É MEU! comprei, autorizado ou não, agora tá nas minhas mãos, é como se eles entrassem em minha casa e resolvessem pegar um dos livros de minha estante e levar embora. Isso é uma manobra completamente invasiva e desrespeitosa. Segundo: Nos termos de serviço da própria <em>Amazon</em>, eles dizem que NÃO podem fazer isso. Os leitores foram pegos de surpresa, eles não sabiam que haviam comprado algo ilegal e muito menos imaginavam que a <em>Amazon</em> poderia invadir seus arquivos dessa forma.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/say-hello-450px._V251249381_.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3607" title="say-hello-450px._V251249381_" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/say-hello-450px._V251249381_.jpg" alt="say-hello-450px._V251249381_" width="194" height="186" /></a>O <em>Kindle</em> permite que você faça notas no arquivo que você está lendo, como quando você lê um livro de papel e usa um lápis para fazer  anotações nos cantos das páginas. Quando eles removeram essas cópias, removeram juntamente as notas de leitores que estavam fazendo trabalhos, estudos, observações pessoais, fosse o que fosse, mas eles usurparam pensamento intelectual alheio, e fizeram pior, estes eles não devolvem. Um livro tem várias cópias que podem ser encontradas em diversas livrarias, mas o pensamento pessoal gerado da digestão cultural também é uma obra intelectual que merece o devido respeito, e eles simplesmente confiscaram tudo.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/kindle-1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-3608" title="kindle-1" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/07/kindle-1.jpg" alt="kindle-1" width="170" height="84" /></a>Tenho a absoluta certeza que este tipo de atitude foi absurdamente exacerbada. Primeiro porque os direitos autorais deste livro começam a se tornar duvidosos, uma vez que ele já tem seus direitos livres em vários países, dentre eles o Canadá, Autrália e Rússia. Depois, se o probelma é esse maldito direito autoral &#8211; que devia ser algo para proteger o trabalho intelectual e que hoje é usado para limitar as possibilidades intelectuais dessa mesma obra &#8211; poderiam ser perfeitamente negociados, tipo: &#8220;Galera, deu merda aqui, vamos ter que pedir mais $ 0,15 de vocês porque a galera dos direitos autorais ta enchendo o saco&#8221;. Não, isto não poderia acontecer, eles preferiram fazer: &#8220;Vamos INVADIR a galera, roubar o livro de volta, e pra eles aprenderem a lição, vamos roubar as notas deles também, só de sacanagem&#8221;.</p>
<p>O que ocorre é que esse tipo de instituição precisa perecer. Enquanto a internet ganha força, algumas empresas como estas que tentam manter a informação como um cálice sagrado, tremem nas bases e tentam golpear aqueles que querem apenas evoluir cultural e intelectualmente. A medida que a internet vai se tornando autocatalítica, essas &#8220;estrelas&#8221; da informação vão começar a explodir cada vez mais e veremos a informação que está presa dentro dessas &#8220;bolas de fogo&#8221; se expandir e se desprender para chegar a todos nós como raios de luz que nos atingem, nos iluminam e que nunca conseguiremos &#8220;pega-las&#8221; novamente para subjugar essa luz/conhecimento novamente ao bel-prazer de algumas cadeias de estrelas distantes.</p>
<p>[<a href="http://www.nytimes.com/2009/07/18/technology/companies/18amazon.html" target="_blank">via New York Times</a>]</p>
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		<title>Bloomsday</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 14:48:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseniz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, dia 16 de Julho se comemora o Bloomsday na Irlanda. Mas o que é o Bloomsday afinal de contas? Um novo dia da semana? Um feriado? Algo a ver com a música do U2:  &#8216;Sunday Bloody Sunday&#8220;? Qual a importância deste dia para os irlandeses? e por que é comemorado no dia 16 de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, dia 16 de Julho se comemora o Bloomsday na Irlanda. Mas o que é o Bloomsday afinal de contas? Um novo dia da semana? Um feriado? Algo a ver com a música do U2:  &#8216;<em>Sunday Bloody Sunday</em>&#8220;? Qual a importância deste dia para os irlandeses? e por que é comemorado no dia 16 de Julho? São alguns dos questionamentos que pretendo responder à medida que os seus olhos atentos acompanham este texto.<span id="more-2923"></span></p>
<p>O Bloomsday é um feriado Irlandês em que se homenageia o livro Ulysses, do autor James Joyce. É o único feriado dedicado a um livro no mundo excetuando-se a Bíblia.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2945" href="http://www.asfixia.net/asfixia/bloomsday/bloomsday2/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2945" title="Bloomsday2" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/Bloomsday2-150x150.jpg" alt="Bloomsday2" width="150" height="150" /></a>O livro modernista levou oito anos para ser concluído e foi proibido em alguns países, possui cerca de 900 páginas, divididas em 18 capítulos sendo que, cada um dos capítulos tem uma narrativa própria, com diversas citações e referências diferentes relacionadas a  um episódio específico da Odisséia de Homero tendo associados a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano  e representa uma hora na vida do personagem Leopold Bloom no dia 16 de Junho de 1904 percorrendo as 19 ruas da cidade de Dublim.</p>
<p>James Joyce passou a vida adulta afastado da Irlanda e em seu livro boa parte do que é descrito das ruas irlandesas para ambientação detalhada da história tem por base sua infância, relatos de amigos e uma listagem dos proprietários e imóveis da cidade. O Trabalho e o autor tem um forte vínculo com a cidade de Dublim e a Irlanda por isso esta data é comemorada tão efusivamente todo dia 16 de Julho.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2944" href="http://www.asfixia.net/asfixia/bloomsday/james-joyce/"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2944" title="James Joyce" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/James-Joyce-150x150.jpg" alt="James Joyce" width="150" height="150" /></a>O dia 16 de Julho de 1904 foi escolhido pelo autor, segundo uma carta escrita pelo mesmo, por ser o dia em que perdeu a virginidade com a companheira Nora  Barnacle em um coito interrompido (imagine se tivesse sido um coito completo).</p>
<p>A festa do Bloomsday apresenta caminhadas pela cidade,  exposições, encenações teatrais, leituras ao ar livre, exibição de filmes e um grande café da manhã com as pessoas caracterizadas como os personagens da época do livro (sim, estão fazendo cosplay do livro). Boa parte destes eventos organizada pelo<a href="http://www.jamesjoyce.ie/" target="_blank"> James Joyce Centre</a>. Durante o Bloomday número 100 em 2004, a cidade de Dublim comemorou durante cinco meses seguidos.</p>
<p>Em diversas partes do mundo incluindo o Brasil,  em algumas localidades, também se comemora o Bloomsday de forma efêmera em seu calendário cultural. Um exemplo disso foi o espetáculo teatral em comemoração ao Bloomsday realizado em 2004 pelo grupo Oficina Multimédia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ogDZ5bnsJVE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/ogDZ5bnsJVE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Para os que residem em Natal e se interessaram pelo assunto, vocês podem também participar das comemorações, que estão sendo realizadas  das 9h às 20h em diversas partes da cidade. A programação completa está no convite abaixo, mas gostaria de destacar em especial a exibição do ótimo filme &#8220;<em>Bloom- Toda a vida em um único dia</em>&#8220;, dirigido por Sean Walsh às 16h e 30min no mercado de Petrópolis, onde está localizada a sede do Cineclube Natal.</p>
<div id="attachment_2946" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/Bloomsday-convite.jpg"><img class="size-medium wp-image-2946 " title="Bloomsday convite" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/Bloomsday-convite-300x216.jpg" alt="Convite para o Bloomsday em Natal" width="300" height="216" /></a><p class="wp-caption-text">Convite para o Bloomsday em Natal</p></div>
<p>Aqui apresento a ficha técnica do filme &#8220;<em>Bloom- Toda a vida em um único dia</em>&#8220;:</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2947" href="http://www.asfixia.net/asfixia/bloomsday/bloom/"><img class="alignright size-medium wp-image-2947" title="bloom" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/bloom-233x300.jpg" alt="bloom" width="233" height="300" /></a>Título original: Bloom<br />
País: Irlanda<br />
Ano: 2003<br />
Duração: 113 minutos<br />
Cor: colorido<br />
Idioma: inglês<br />
Gênero: Drama, Romance<br />
Estúdio: Odyssey Pictures<br />
Roteiro: James Joyce (romance)<br />
Direção: Sean Walsh<br />
Produção: Sean Walsh, Mark Byrne<br />
Fotografia: Ciarán Tanham<br />
Música: David Kahne<br />
Direção de Arte: Stephen Simmonds<br />
Figurino:Tara Van Zyl<br />
Edição: Sarah Armstrong<br />
Desenho de Produção: Mervyn Rowe<br />
Elenco: Stephen Rea, Ageline Ball, Hugh O&#8217;Connor, Neilí Conroy, Eolin McCarthy, Alvaro Lucchesi, Maria Hayden, Mark HUberman, Kenneth Mc Donnell, Maria Lennon, Ciaran O&#8217;Brien, Dermot Moore, Steve Moore, Steve Simmonds, Maurice Shanahan, Adam Fox Clarke, Patrick Bergun, Aideen McDonald</p>
<p>Principais premiações: Prêmio de Melhor Atriz no Irish FIlm and Television Awards, além das indicações de Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Talento Revelação (diretor Sean Walsh)</p>
<p>Mas aí vocês me perguntam: E o que o U2 tem a ver com o Bloomsday caro, autor? Ora, eles são irlandeses e com certeza devem ter comemorado o Bloomsday uma vez na vida e além do mais é um ótimo pretexto para colocar um vídeo deles cantando &#8220;<em>Sunday Blood Sunday</em>&#8221; , música sobre o Domingo Sanguento irlandês, que é um dia que merece ser lembrado também, mas aí já é tema para outra postagem&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/uL5O7NfD-JA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/uL5O7NfD-JA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Tenham um ótimo Bloomsday, Namastê!</p>
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		<title>RUBEM FONSECA: Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 23:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabeceira]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[A grande Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[O Cobrador]]></category>
		<category><![CDATA[Rubem Fonseca]]></category>

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		<description><![CDATA[Nascido em 1925 e com 26 livros publicados, Rubem Fonseca inaugurou uma nova corrente na literatura brasileira contemporânea que ficou conhecida em 1975 através de Alfredo Bosi como brutalista, mas não se deixe induzir acreditando que este autor é um mero retratista da violência urbana. Sem dúvidas, Rubem Fonseca é o maior autor brasileiro vivo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nascido em 1925 e com 26 livros publicados, <em>Rubem Fonseca</em> inaugurou uma nova corrente na literatura brasileira contemporânea que ficou conhecida em 1975 através de <em>Alfredo Bosi</em> como <em>brutalista</em>, mas não se deixe induzir acreditando que este autor é um mero retratista da violência urbana. Sem dúvidas, <em>Rubem Fonseca</em> é o maior autor brasileiro vivo.<span id="more-1397"></span></p>
<p>Este autor me conquistou desde o primeiro parágrafo do primeiro livro que li dele, e tem sido assim em toda a sua literatura. Ele é um dos únicos autores que conheço que conseguem definir seu personagem e sua história logo nas duas primeiras páginas do livro. Os personagens centrais de seus romances geralmente são policiais, delegados, detetives e escritores. Mas não pense em comprar um livro dele esperando encontrar detetives com cara de herói, aliás, não esperem nenhum herói. Boa parte de seus personagens são amorais, não se entendem dentro de uma determinada realidade, assim como seus <em>vilões</em> que fazem as piores coisas sem o menor peso na consciência. Em nenhum momento esses <em>vilões</em> são atormentados pelo certo ou errado. O mundo é cruel. A vida é medo, dor e prazer. Não espere outra coisa dele.</p>
<blockquote><p><strong>&#8220;O homem é um animal solitário, um animal infeliz, só a morte pode consertar a gente.&#8221; <em>Os Prisioneiros</em></strong></p></blockquote>
<p><a rel="attachment wp-att-1405" href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/sem-rubem.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1405" title="sem-rubem" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/sem-rubem-150x150.jpg" alt="sem-rubem" width="124" height="124" /></a>Rubem Fonseca é reconhecidamente contrário a exibição. Como Dalton Trevisan, adora o anonimato.  É descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor. Jamais espere vê-lo em uma convenção ou palestra, e com certeza jamais irá vê-lo no programa do Jô, apesar de ambos serem amigos; o apresentador já o convidou várias vezes, mas ele não aparece em público, de fato,  é uma luta até mesmo encontrar uma simples foto sua na internet. Ele não publica nem sequer fotos suas na orelha de seus livros. Claro que isso não o faz melhor nem pior que ninguém, apenas não é de seu feitio nem do seu agrado. Afinal, como ele mesmo diz em um de seus livros: &#8220;Que se danem os escritores, o que me importa são os livros!&#8221;</p>
<blockquote><p><strong>&#8220;Rir é bom, mas pode foder a vida de uma pessoa&#8221; <em>Rubem Fonseca</em></strong></p></blockquote>
<p>Suas obras costumam por a nu os dramas humanos desencadeados pelas ações transgressoras da ordem.  Alguns de seus livros são quase que uma guerra civil não declarada, e seus temas são sempre fortes e polémicos.  No caso de &#8220;Agosto&#8221;, por exemplo, o plano de fundo do romance é a história brasileira na época de <em>Getúlio  Vargas</em>, mas ele não deixa de manter os elementos que constroem sua literatura e que fez seu trabalho ser adorado em diversos países.</p>
<blockquote><p><strong>&#8220;Deixo as mulheres bonitas para os homens sem criatividade.&#8221;</strong></p></blockquote>
<p><a rel="attachment wp-att-1400" href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/60227_48771_572.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1400" title="60227_48771_572" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/60227_48771_572-150x150.jpg" alt="60227_48771_572" width="118" height="118" /></a>Embora ele seja um romancista genial, foi nos contos que Rubem Fonseca se fez. Seus primeiros livros foram de contos, os quais mantêm a mesma força de seus romances. E confesso que apesar de eu ainda não ter lido um livro ruim dele, digo que seus contos são ainda mais geniais. Me parece que nos contos é onde ele mais &#8220;viaja&#8221;. Neles você consegue encontrar personagens os mais variados, e personagens variados são mentes diferentes. Mentes pelas quais nunca imaginei passar, pensamentos que jamais imaginei ler, personagens que em nenum momento pude conceber. Histórias fascinantes e incríveis. Alguns de seus contos chegam a ser quase que <em>non-sense</em>.</p>
<blockquote><p><strong>&#8220;A coerência é uma característica vegetal que eu felizmente não possuo.&#8221; <em>Mandrake &#8211; Grande Arte</em></strong></p></blockquote>
<p><a rel="attachment wp-att-1401" href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/bufo-e-spallanzani-poster01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1401" title="bufo-e-spallanzani-poster01" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/01/bufo-e-spallanzani-poster01-207x300.jpg" alt="bufo-e-spallanzani-poster01" width="116" height="168" /></a>Rubem Fonseca também já escreveu filmes, sendo que seu último trabalho nesse ramo foi  &#8220;O Homem do Ano&#8221;, que pra mim ficou fantástico!  Ele recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo  roteiro de  &#8220;A grande arte&#8221;, filme dirigido por Walter Salles Jr. e baseado em um de seus livros. Escreveu também &#8220;Coruja de ouro&#8221;, roteiro Relatório de um homem casado, filme dirigido por Flávio Tambelini.</p>
<p>Enfim… incrivelmente, esse foi o primeiro autor que li na minha vida, antes dele só lia quadrinhos, e para mim foi chocante, aos 13 anos, me deparar logo com um autor desses. Foi até mesmo assustador. Mas foi perfeito, sua literatura me ajudou a construir muito do que sou hoje. Nunca esperei demais dele, e ele sempre me surpreendeu. Leio Rubem Fonseca a 10 anos e seus livros continuam tão bons quanto aquele primeiro parágrafo que li.</p>
<p style="text-align: left;">
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><strong>Leio os jornais. A morte do muambeiro da Cruzada nem foi noticiada. O bacana do Mercedes com roupa de tenista morreu no Miguel Couto e os jornais dizem que foi assaltado pelo bandido Boca Larga. Só rindo.</strong></p>
<p><strong>Faço um poema denominado Infância ou Novos Cheiros de Buceta com U: Eis-me de novo/ ouvindo os Beatles/ na Rádio Mundial/ às nove horas da noite/ num quarto/ que poderia ser/ e era/ de um santo mortificado/ Não havia pecado/ e não sei por que me lepravam/ por ser inocente/ ou burro/ De qualquer forma/ o chão estava sempre ali/ para fazer mergulhos./ Quando não se tem dinheiro/ é bom ter músculos/ e ódio./</strong></p>
<p><strong>Leio os jornais para saber o que eles estão comendo, bebendo e fazendo. Quero viver muito para ter tempo de matar todos eles.</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Texto retirado de &#8220;O Cobrador&#8221;</em></strong></p>
</blockquote>
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		<title>A caçada</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 03:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Escolhas. No fim, tudo se resume a escolhas. E também as conseqüências dessas escolhas. As escolhas fazem parte do livre arbítrio. Elas estão para o homem, assim como o processo de seleção natural está para os animais: vence sempre quem teme menos. Mas, se você parar para observar, na verdade não se tem muito a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escolhas. No fim, tudo se resume a escolhas. E também as conseqüências dessas escolhas. As escolhas fazem parte do livre arbítrio. Elas estão para o homem, assim como o processo de seleção natural está para os animais: vence sempre quem teme menos.<span id="more-1110"></span></p>
<p>Mas, se você parar para observar, na verdade não se tem muito a escolher: ou se é caça ou caçador. Passar de um status a outro, às vezes, é questão de escolha. No meu caso, não. Passei de “a mão do carrasco” a “o pescoço rolando no cadafalso”, por mero capricho. Não de minha parte. Quando há caçadores em demasia, alguém precisa fazê-los se exercitar.</p>
<p>Meu primeiro gesto foi fugir. Corri milhas e milhas. Ganhei um joelho estourado. Pudera, eu não nasci pra coelho. E como podia ser lobo, se a cada vítima a culpa me consumia?</p>
<p>Meu segundo gesto foi esperar. Dizem que nunca se escapa do destino. Atiraram em meu joelho bom. Prostrei-me diante deles.</p>
<p>Meu terceiro gesto foi pedir um favor. Um deles se aproximou. Entreguei-lhe o pedaço de papel. Era o número que eles queriam. Eles nem tiveram tempo de sentir raiva de mim. Tudo foi pelos ares.</p>
<p>Meu uivo ecoou por toda a vizinhança.</p>
<p>Eu morri sorrindo.</p>
<p>F   I    M</p>
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		<title>José Saramago agora tem blog</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 00:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rapidinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Nobel]]></category>
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		<description><![CDATA[O ganhador do prêmio Nobel, José Saramago, está agora com seu próprio blog na internet, e quer blog mais interessante para ser visitado do que o de um ganhardor do Nobel? E não é só por isso, quem já leu pelo menos um livro que seja deste autor sabe que ele é genial e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ganhador do prêmio Nobel, José Saramago, está agora com seu próprio blog na internet, e quer blog mais interessante para ser visitado do que o de um ganhardor do Nobel? E não é só por isso, quem já leu pelo menos um livro que seja deste autor sabe que ele é genial e que vale a pena curtir cada palavra que ele diz e escreve. Então visite <a href="http://caderno.josesaramago.org/">aqui</a>. Esse já tem lugar garantido nos meus feeds!</p>
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		<title>Voyeur</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 03:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geilson Volking</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[voyeur]]></category>
		<category><![CDATA[voyeurismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando lhe bateram a porta, dois anos após o acidente, Rogério tinha 45 anos e um copo de uísque na mão. Levemente embriagado, como de costume, apanhou a bengala e mancou em direção a entrada. Limpou a boca, acendeu a luz e abriu. — Boa noite — disse ela. Rogério, sem dizer palavra, fez menção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando lhe bateram a porta, dois anos após o acidente, Rogério tinha 45 anos e um copo de uísque na mão.<span id="more-817"></span><br />
Levemente embriagado, como de costume, apanhou a bengala e mancou em direção a entrada.<br />
Limpou a boca, acendeu a luz e abriu.<br />
— Boa noite — disse ela.<br />
Rogério, sem dizer palavra, fez menção para que entrasse.<br />
E ela entrou. Sentou-se no sofá diante da poltrona e cruzou as pernas. Estava bonita. Aliás, típico. Abriu a bolsa e tirou uma carteira de cigarros.<br />
— Se incomoda?<br />
— Não, pode ficar a vontade.<br />
Rogério se acomodou na poltrona.<br />
— Desde quando você fuma?<br />
— Já algum tempo.<br />
Pela primeira vez seus olhos se cruzaram.<br />
— Você está bem — disse ele.<br />
— Você também não está nada mal.<br />
Rogério balançou a cabeça.<br />
— Por favor, não seja irônica. Bebe? — perguntou mostrando-lhe o copo de uísque.<br />
— Não, obrigada.<br />
— Por que veio aqui?<br />
— Precisava te ver.<br />
— Já faz dois anos.<br />
— É, eu sei.<br />
— E por que tanto tempo?<br />
— Eu precisava&#8230;<br />
Rogério esticou o braço e apanhou a garrafa que estava no chão, como um cão obediente ao lado da poltrona. Encheu o copo e colocou-a no mesmo lugar.<br />
Ela olhava ao redor.<br />
— Não toquei em nada&#8230; está como você deixou.<br />
— Você tem um cinzeiro?<br />
— Em cima da mesa. Pode pegar?<br />
— Claro.<br />
— E as crianças? — perguntou ele.<br />
— Estão bem. Sentem a sua falta. Perguntam por você.<br />
— Queria vê-las&#8230;<br />
Rogério se levantou. Na estante, puxou um vinil e o pôs no toca-discos. A música começou a soar sugestiva pela sala.<br />
— Lembra-se?<br />
Ela sorriu.<br />
— Como eu poderia esquecer — disse voltando à cadeira. — Era a nossa música.<br />
— Era?<br />
Ela parou de sorrir.<br />
— Sim, Rogério, era.<br />
Ele retornou à poltrona. Tomou um trago. Massageou a perna.<br />
— E o joelho, como está?<br />
— Dói mais quando faz frio. Aí eu tomo uns analgésicos&#8230; pra aliviar.<br />
— Sei.<br />
— Como ultimamente está fazendo um calor danado&#8230;<br />
— Você tem que fazer fisioterapia.<br />
— Eu fazia&#8230; mas parei.<br />
— Por quê?<br />
— Sem saco.<br />
Ficaram em silêncio. Depois de algum tempo, Rogério murmurou:<br />
— Sinto saudades.<br />
Ela baixou a cabeça.<br />
— Não deveria ter sido assim, Marta.<br />
— A culpa não foi sua.<br />
— Todo dia eu procuro um motivo pra não me jogar daquela janela. Às vezes eu acho que não dá mais. Sou fraco. A solidão é a pior coisa que existe. É duro não ter com quem conversar.<br />
— E por que você não sai, procura fazer amigos, namorar?<br />
— Eu não consigo. Só quero ficar aqui tomando o meu uísque, escutando o meu som&#8230;<br />
— Até quando?<br />
— Não sei&#8230; até morrer, quem sabe.<br />
— Não diga isso.<br />
Rogério encheu novamente o copo.<br />
— Depois que vocês foram embora, nada mais faz sentido pra mim. Larguei o trabalho, o Partido, mandei tudo pro inferno.<br />
— Não faça isso, Rogério.<br />
— O que é que você quer que eu faça?<br />
— Há outros caminhos.<br />
— É muito fácil falar. Queria ver se estivesse no meu lugar.<br />
— Você está sendo egoísta.<br />
— Você é que está sendo egoísta. Dois anos sem dar as caras&#8230;<br />
— Eu tive meus motivos.<br />
— Outro homem deve ser um bom motivo.<br />
— Não fale besteiras.<br />
— Por que besteiras? Você é jovem, bonita. Onde quer que você esteja, sempre haverá alguém lambendo os seus pés.<br />
— Você não sabe o que está dizendo.<br />
Ele ficou em silêncio.<br />
— É, acho que não.<br />
— Olhe — disse ela—, eu sei que você está sofrendo muito. Eu também sofro com tudo isso, mas não dá. Temos que encarar os fatos. Eu não queria que fosse assim. Porém muitas vezes as coisas não saem como planejamos. Talvez pudesse ter sido diferente, mas “talvez” não muda nada, entende? Você tem que dar a volta por cima. Há muito chão pela frente. Não desista, Rogério, não desista.<br />
— Eu sei. Mas&#8230; sem vocês, sem minha família&#8230; por que não voltam pra mim? Podemos começar tudo de novo.<br />
— Não, Rogério, não dá.<br />
— Por que não?<br />
— Porque não.<br />
— Então pra que diabos você veio aqui, porra?! — gritou ele.<br />
— Pra ver como você estava.<br />
— Pois aqui estou — disse ele se levantando. — Está vendo? É isso que sobrou de mim. Restos!<br />
Silêncio.<br />
Ela apanhou a bolsa.<br />
— Tenho que ir.<br />
— Como?<br />
— Preciso ir.<br />
— Por quê?<br />
Ela se levantou:<br />
— Me leva até a porta?<br />
— Marta, por favor.<br />
— Desculpa, eu não deveria ter vindo aqui.<br />
— Não, Marta, me perdoe. Eu estou nervoso, não sei o que estou dizendo. Eu&#8230;<br />
— Tudo bem&#8230; mas preciso ir.<br />
— Fica mais um pouco.<br />
— Não dá.<br />
— Dança comigo.<br />
Ela olhou-o nos olhos.<br />
— Dançar?<br />
— Por favor.<br />
Marta ficou em silêncio por um grande espaço de tempo, escutando Ray Charles debruçado sobre o piano. Então se aproximou de Rogério e o abraçou. E naquela sala de apartamento no oitavo andar, ao som da música que era deles, somente deles, dançaram. E ao sentir que Rogério chorava, Marta o abraçou mais forte ainda, e também chorou. Pelo passado, pelo destino que poderia ter sido diferente.</p>
<p>Há cem metros dali, por trás das lentes de um binóculo, um homem no prédio ao lado observava toda aquela cena: um cara bêbado dançando sozinho às três horas da madrugada em sua sala de estar.<br />
<em></em></p>
<p><em>Esse  conto obteve o 1º lugar no Concurso de contos da Cooperativa Cultura da UFRN &#8211; 2007. </em></p>
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		<title>Ataque Massivo</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 00:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu lhe dei um beijo, mas ela já estava morta. Pouco tempo depois eu também estaria. Nem lembro se tive tempo de tirar meus lábios dos dela. Não éramos Romeu e Julieta. Na verdade, eu nem sabia o seu nome, mas nós já estávamos mortos. Ela sequer sabia que eu lhe beijara. No último momento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu lhe dei um beijo, mas ela já estava morta. Pouco tempo depois eu também estaria. Nem lembro se tive tempo de tirar meus lábios dos dela. Não éramos Romeu e Julieta. Na verdade, eu nem sabia o seu nome, mas nós já estávamos mortos. Ela sequer sabia que eu lhe beijara.<span id="more-772"></span> No último momento da minha vida, senti tanto desespero por dentro que a única coisa que consegui fazer foi me apaixonar. Mas havia outro homem no andar, no mesmo andar, e ele não estava desesperado.</p>
<p>A penúltima coisa que vi foi ele passar pela porta em direção as escadas do edifício. Mas não me importei, afinal, apenas o vi acidentalmente, de relance, era o único que não corria, mas eu tinha outras preocupações. A Segurei em meus braços. Eu sabia que seria o próximo,  percebi então que a amava, porque eu era como ela. A abracei e beijei, simples assim. E antes que pudesse terminar, nós já éramos iguais. Meu corpo caiu sobre o dela quase como num abraço.</p>
<p>Em seguida, a polícia também apareceu subindo as escadas, alguns com armas pequenas e amedrontados. O homem que a pouco havia seguido por aquelas escadas também era um de nós. Por ali não havia sinal de pássaros ou aviões. Em breve seríamos todos uma família ao partilhar da mesma condição, pelo menos assim eu supunha.</p>
<p>Havia muitas pessoas subindo e descendo as escadas, dava para saber os sentimentos de cada uma pela direção em que seguiam. O som dos passos nunca foi tão expressivo. Não me importei com os choros e os gritos porque àquela altura já era algo comum. Mas aqueles passos…e eu estava no chão, e aqueles passos…todo o momento em que estive vivo ali, eu realmente me senti quase como uma barata.</p>
<p>Às oito da noite não havia silêncio, apenas raspagem de sangue e coleta de corpos. O céu estava nublado, mas todos pareciam contar estrelas.</p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		<title>O diabo na rua, no meio do redemoinho</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 17:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Aureliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão Veredas]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[regional]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre detestei literatura regional, achava ridículo. Para mim, a arte sempre teve que ser universal e independente da cultura onde é desenvolvida. Tendo isso, talvez você possa pensar que depois que eu li o  Grande Sertão: Veredas, eu tenha mudado de ideia, mas na verdade não. Depois que li Guimarães Rosa minha opinião se reafirmou. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre detestei literatura regional, achava ridículo. Para mim, a arte sempre teve que ser universal e independente da cultura onde é desenvolvida. Tendo isso, talvez você possa pensar que depois que eu li o  <em>Grande Sertão: Veredas</em>, eu tenha mudado de ideia, mas na verdade não. Depois que li <em>Guimarães Rosa</em> minha opinião se reafirmou. Mas eu descobri uma coisa nova, eu vi coisas que eu não conhecia.<span id="more-364"></span> Este autor é universal, e neste livro, o sertão é aquilo que eu acredito que tenha que ser em uma história, como em qualquer outra história: Um plano de fundo; um lindo cenário onde vemos o tema central que vemos em toda grande literatura: O homem. O tema mais curioso, assustador e impressionaste de todas as histórias.<strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>…Sertão é sem lugar. Sertão é o sozinho. Sertão é dentro da gente.&#8221;</strong></p></blockquote>
<p><em>Riobaldo</em>, em sua longa narrativa, nos guia pelas mais belas e assustadoras imagens do sertão, nos da uma perspectiva do homem em sua nudez. O sertão é poesia para ele, e ele consegue se descobrir nesse mundo tão peculiar e insensível. <em>Riobaldo</em> não é uma vítima, e sim um sobrevivente, como tantos outros.<strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>O que era isso? Que a desordem da vida podia sempre mais que a gente.&#8221;</strong></p></blockquote>
<p>Para mim é muito difícil comparar uma obra dessa com qualquer outra. Este livro me pegou de surpresa; eu jamais imaginei que ia sentir novamente o que senti quando li <em>Crime e Castigo</em>. Até hoje tento entende-lo completamente, e tenho a certeza de que jamais conseguirei. Mas o que eu posso e consigo espremer dessa literatura já acho fantástico.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/ocangaciero.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-370" title="Cangaceiros" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/ocangaciero.jpg" alt="" width="154" height="108" /></a><em>Grande Sertão: Veredas</em>, é o único livro brasileiro que está entre as 50 maiores obras literárias do mundo. E não é a toa. Até mesmo a narrativa muda paralelamente com o desenvolvimento do personagem que narra a história. Ele consegue nos passar o que ele sente, e nos faz sentir seu crescimento individual e a forma como ele se dá. A impressão que tenho, é como se estivesse observando de cima, uma estrada circular por onde todos caminham. E quem nos ergue pelo pé e nos faz ver esse <em>torto</em> caminho de cabeça para baixo, é a narrativa reveladora de seu personagem principal. E se chove nessa estrada acidentada e circular, eu terei a certeza que serei eu, la de cima, chorando ao ter uma visão tão clara <em>(apesar do sol e do calor do sertão)</em>, de como é que a vida segue nessa estrada onde vamos acabar nos perdendo e morrendo, mas que nunca deixará de ter seus andarilhos.<strong></strong></p>
<blockquote><p><strong>Aprender a viver é que é viver mesmo.&#8221;</strong></p></blockquote>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/guima_materia_1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-368" title="guima_materia_1" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/guima_materia_1-150x150.jpg" alt="" width="102" height="102" /></a>Com <em>Guimarães Rosa</em>, o Sertão é intuído, e não analisado. A ideia do livro não é fundamentar o sertão, mas vê-lo por aquilo que ele é, e não por especulação poética, como muitos outros autores o fazem.<em> Grande Sertão: Veredas</em> é a morte e sofrimento banhada de uma poesia real, assim como é a vida em toda a parte do mundo.</p>
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		<title>Crescer é aprender a enganar o tédio</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 03:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geilson Volking</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mudança]]></category>
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		<description><![CDATA[Lembro-me da primeira vez em que toquei os seios de uma garota. Era São João. E ao invés de dançar quadrilha, pular fogueira, soltar bombas ou assar milho na brasa preferíamos nos esconder num beco escuro e explorar nossos pecados infanto-juvenis. Os seios eram grandes, fartos, saborosos para as minhas pequenas mãos. Engraçado as primeiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me da primeira vez em que toquei os seios de uma garota. Era São João. E ao invés de dançar quadrilha, pular fogueira, soltar bombas ou assar milho na brasa preferíamos nos esconder num beco escuro e explorar nossos pecados infanto-juvenis. Os seios eram grandes, fartos, saborosos para as minhas pequenas mãos. <span id="more-216"></span>Engraçado as primeiras impressões das primeiras experiências. A sensação que tive ao amassá-los foi de estar pegando em bexigas de encher pouco infladas. Pegue uma bexiga e dê um sopro, coloque por debaixo da camisa e apalpe: isso era o peito de Clara. Aconteceu o mesmo com o primeiro beijo. Nele, descobri que a boca era oca. Um abismo no meio da cara. Hoje me pergunto se a melhor trepada vale aqueles seios pousados nas palmas das minhas mãos; se a mulher mais gostosa chega perto da primeira sensação que tive ao sentir uma mão, que não a minha, agasalhar meu pênis, carinhosamente.<br />
<a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/malcolm-x.jpg"><img class="size-medium wp-image-221 alignleft" title="malcolm-x" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/malcolm-x.jpg" alt="" width="263" height="360" /></a>Acho que a melhor fase da vida é a fase das descobertas físicas e intelectuais. Depois tudo perde um pouco a graça, a originalidade, a intensidade. A vida adulta esmaga as novidades com a delicadeza de um tanque de guerra. Tornamo-nos mais ponderados, mais minuciosos.  É quando o eterno retorno começa. Mesmo o novo e o original sentem o impacto do se “tornar adulto”.</p>
<p>Quando tinha 17 anos assisti ao filme Malcolm X, de Spike Lee, e passei uma semana ruminando aquelas cenas. Andando entre prateleiras de uma biblioteca pública descobri a biografia do ativista negro americano e li quase de um só fôlego. Aquele filme e aquele livro marcaram profundamente a minha juventude. Onze anos depois, a procura de fortes sensações, algo que me arrebatasse, que me arrancasse aplausos, alugo o filme em questão. E, para minha surpresa, foi apenas mais um bom filme biográfico. Não que ele seja ruim, não que a luta contra as injustiças sociais sejam menos importantes, mas o Geilson de 11 anos atrás não é o mesmo Geilson de hoje. Gostaria de ter sentido a mesma coisa que no passado, mas não senti. Acho que o impacto do novo é absorvido pela criança e pelo adolescente de forma muito mais apaixonada. No adulto, a máquina de medir a experiência estética, mesmo sendo nova,  é outra. No entanto, em respeito à explosão que foi assistir Malcolm X pela primeira vez, se me perguntam se gostei desse filme, digo que foi um dos melhores que já vi. Mas algo se perdeu. Será que essa leve sensação de indiferença é o que chamam de amadurecimento?<br />
<a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/melancolia.jpg"><img class="size-medium wp-image-208 alignright" title="melancolia" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2008/11/melancolia-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>Faz tempo que não choro de tanto rir. E que sensação maravilhosa é chorar de tanto rir. Você já percebeu que quando adolescente a vida é mais engraçada? Tudo é muito divertido. Uma conversa entre amigos é um circo. Não sabemos de onde, mas as engrenagens do nosso cérebro trabalham em prol da tirada ridícula. Contudo, o tempo passa e a mesmíssima reunião de amigos parece mais um momento fúnebre: é o trabalho que não presta, é o meu patrão que é uma besta, é a minha esposa que não me compreende, é as contas que não acabam mais, tudo isso em torno de bebidas alcoólicas e fundo musical melancólico. As piadas tornam-se humor negro e as risadas que delas nascem fenecem em questão de segundos.</p>
<p>Costumava olhar sempre as estrelas. Colocava uma cadeira de balanço no quintal, apagava a luz e ficava por um bom tempo imaginando o porquê de tudo isso, o porquê de tanto mistério nesse mundo. Será que existe vida noutros planetas? Vida após a morte? Deus é apenas uma invenção humana, ou está em tudo, já que um relógio não se faz sem um relojoeiro? O conhecimento nunca precede a experiência? Qual o sentido disso tudo&#8230;? Acho que não tenho mais tanta paciência. A razão e a fé são dois becos sem saída. Fico então sem mais palavras. Os mistérios continuam firmes e fortes, inexplicáveis dentro e fora de mim. Crescer é aprender a enganar o tédio. Quando o novo deixa de ser novidade e a vida torna-se apenas uma peça repetida ao extremo, o melhor é lançar olhos para o passado e de lá trazer a sabedoria das primeiras experiências. Somos um gato gordo e bocejante deitado no tapete vendo seu filhote brincar com o próprio rabo.</p>
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