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	<title>Asfixia &#187; Starbuck</title>
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		<title>Uma space opera shakespeareana</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 12:17:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milena Azevedo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Séries de ficção científica costumam ter um público fiel e hermético, que geralmente quer ver algo sobre civilizações extraterrestres, disputas maniqueístas entre as forças do bem e as forças do mal, batalhas espaciais miraculosas e algumas licenças poéticas às leis da física. O remake de uma série de ficção científica dos anos de 1970 mudou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/6a00c22529c955604a00d4144d73dd6a47-500pi.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2776" title="6a00c22529c955604a00d4144d73dd6a47-500pi" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/6a00c22529c955604a00d4144d73dd6a47-500pi-150x150.jpg" alt="6a00c22529c955604a00d4144d73dd6a47-500pi" width="150" height="150" /></a>Séries de ficção científica costumam ter um público fiel e hermético, que geralmente quer ver algo sobre civilizações extraterrestres, disputas maniqueístas entre as forças do bem e as forças do mal, batalhas espaciais miraculosas e algumas licenças poéticas às leis da física.<span id="more-2751"></span></p>
<p>O remake de uma série de ficção científica dos anos de 1970 mudou um pouco esse padrão.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/battlestar_galactica.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-2775" title="battlestar_galactica" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/battlestar_galactica-150x150.jpg" alt="battlestar_galactica" width="150" height="150" /></a>Refiro-me a New Battlestar Galactica (ou BSG), cujo início deu-se através de uma minissérie de três horas, em 2003, e durou quatro temporadas, terminando no mês de março de 2009, que melancolicamente nos apresenta um futuro dúbio e  amargo.</p>
<p>Quem assumiu o roteiro e a direção de BSG foi Ronald D. Moore (ou RDM), tendo como produtor executivo Glen A. Larson, o criador da série original.</p>
<p>Como não dispuseram de um grande orçamento, sabiam que as cenas das lutas no espaço e os efeitos especiais seriam minimizados, por isso optaram por centralizar a nova trama nos dramas humanos – os conflitos entre os pilotos, os dilemas daqueles que estão no poder e precisam tomar decisões difíceis (arcando com elas) – e na sutil relação homem x máquina e ciência x fé.</p>
<p>BSG começa com o rompimento do armistício entre humanos e cylons, o qual durava 40 anos, e o ataque fatal dos cylons à Caprica, uma das doze colônias. A nave de combate que lidera e abriga os últimos seres humanos é justamente uma nave antiga, com tecnologia defasada, que seria transformada em museu, o seu nome: Battlestar Galactica 75.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000008335_20060920152420.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2777" title="Title - Battlestar Galactica" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000008335_20060920152420-213x300.jpg" alt="Title - Battlestar Galactica" width="213" height="300" /></a>A missão da Battlestar Galactica é encontrar a mítica décima terceira colônica, a Terra, conduzindo os seres humanos a um local seguro e a uma nova chance de recomeçar a vida – isso porque a premissa de BSG é de que a vida começou no espaço, num planeta chamado Kobol, e depois é que se dispersou para o nosso planeta Terra.</p>
<p>No comando da Battlestar Galactica está William Adama/Edward James Olmos (que aparece como Comandante e ao longo da série se torna Almirante), auxiliado pelo XO Saul Tigh/Michael Hogan, seu amigo e braço direito. Eles irão dividir os encargos militares com a Presidente das Doze Colônias, Laura Roslin/Mary McDonnell, a responsável pelos civis a bordo da nave Colonial One.</p>
<p>O primeiro óbice que Adama e Roslin irão enfrentar é a descoberta de que a piloto Sharon “Boomer” Valerii é uma cylon disfarçada, ou seja, uma traidora. Na verdade, Boomer é uma “skin job”, um modelo cylon que é similar aos seres humanos. Eles inicialmente irão discordar sobre a punição à Boomer e, a partir daí, os espectadores irão perceber que em BSG não há um maniqueísmo explícito entre protagonistas e antagonistas, pois tanto humanos quanto cylons tem seus momentos de “anjos” e de “demônios”, e muitas vezes se tem dúvida em apontar quem são os mocinhos e quem são os bandidos da série.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000008345_20060920152444.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2779" title="Title - Battlestar Galactica" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000008345_20060920152444-201x300.jpg" alt="Title - Battlestar Galactica" width="201" height="300" /></a>Ronald D. Moore também dá ênfase à relação existente entre William Adama, seu filho Lee “Apollo” Adama/Jamie Bamber e Kara “Starbuck “ Thrace/KateeSackhoff, ambos esmerados pilotos. Adama tem Starbuck como filha, uma vez que ela teve um relacionamento com Zak, o seu outro filho, mas a mesma fica dividida entre os sentimentos conflitantes (fraterno e sexual) que nutre por Apollo. Aí se estabelece uma relação triangular interessante, onde Apollo é o cara certinho, racional, burocrata (superego), Starbuck é a figura emotiva, indisciplinada, que vive pelo e para o prazer (Id) – tanto que nas duas primeiras temporadas ela fuma e bebe sem parar, além de incorporar o estereótipo masculino –, e Adama é o paizão de toda a Frota, aquele que procura equilibrar os árduos deveres de um líder com a sensibilidade necessária à paz de espírito, levando esperança aos homens mesmo não tendo muita convicção de que o futuro será azul; um militar linha dura que se permite amar uma civil e entende que pode haver harmonia entre humanos e cylons, ainda que esses últimos sejam o inimigo (Ego).</p>
<p>Outro personagem a ser destacado é Gaius Baltar, cientista (e “pegador”, uma irônica antítese) que vem de uma família de lavradores e se esforça para renegar o seu passado. Ao longo da série, faz jogo duplo, é extremamente egoísta, mas acaba se convertendo à crença cylon do Deus único – os humanos são politeístas – e se torna uma espécie de Messias, que num momento chave da trama tem a sua redenção e profere uma das mais poéticas mensagens sobre a fé.</p>
<p>Já a questão <strong>máquinas (autômatos) x seres humanos</strong>, presente tanto em Isaac Asimov quanto em Philip K. Dick, é retomada em BSG: enquanto uma máquina consegue chegar a um certo nível de &#8220;humanidade&#8221; (ter sentimentos, lembranças, ser altruísta e benevolente), os reais seres humanos se tornam cada vez mais mecânicos, robotizados, frios. O problema está em as máquinas quererem suplantar os humanos (a criatura que se rebela contra o seu criador), no sentido de &#8220;eu vou acertar onde vocês erraram&#8221;, e terminarem num beco sem saída. No entanto, essa &#8220;síndrome de Frankenstein&#8221; tem uma faceta luminosa porque as máquinas sentem necessidade de mostrar que vão muito além das aparências, querem fazer ver aos humanos que elas tem algo bom e bonito sob aquela &#8220;carcaça de circuitos elétricos&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000035023_20061021050352.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2780" title="0000035023_20061021050352" src="http://www.asfixia.net/asfixia/wp-content/uploads/2009/06/0000035023_20061021050352-242x300.jpg" alt="0000035023_20061021050352" width="242" height="300" /></a>Em BSG, as máquinas, assim como os humanos, também tomam decisões e fazem escolhas, umas certas e outras equivocadas, e pagam por seus erros e acertos. Porém, não há como quebrar a eterna repetição do ciclo “homem constrói máquinas que se rebelarão e levarão o fim a um mundo conhecido”, mesmo que em um determinado momento os seres humanos optem pela fé em detrimento da razão, despojando-se do poder que a tecnologia traz – o que acontece quando o homem se sente plenamente confortável com a natureza e desenvolve uma relação de igualdade com a mesma –, enquanto o homem continuar a ter necessidade de se sentir superior e assim precisar escravizar espécies diferentes.</p>
<p>A mensagem que fica é a de que a saída está na cooperação, na amizade, na união entre os não-iguais. Resta saber se o ser humano irá amadurecer a esse ponto por si só ou com o auxílio de uma entidade que observa e intervém através de agentes (anjos?, projeções virtuais?), levantando a questão do livre arbítrio.</p>
<p>Por todos os questionamentos que BSG suscita, já se percebe que foi uma série acima da média, mostrando que se pode fazer ficção científica dramática de boa qualidade.</p>
<p>Com isso, afirmo sem medo algum que New Battlestar Galactica foi a melhor série televisiva do século XXI, atraindo até mesmo pessoas que não curtiam harder sci-fi.</p>
<p>SO SAY WE ALL!</p>
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