Transtorno Obsessivo Compulsivo
Escrito em 17. mai, 2009 por Fernando Aureliano | Tema: Comportamento
Ainda hoje a ciência moderna não conseguiu explicar a natureza deste distúrbio, mas já se sabe muitas coisas importantes sobre essa doença que transforma as pessoas em reféns de sua própria consciência.
A medida que a ciência avança em suas pesquisas, fica cada vez mais evidente os fatores biológicos que cooperam para o desenvolvimento desta doença. É muito comum o “Transtorno Obsessivo Compulsivo” (TOC) ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais. Sabe-se ainda que algumas zonas cerebrais se tornam hiperativas, ou seja, funcionam mais nos portadores dessa doença do que em pessoas normais, como por exemplo o lobo frontal do cérebro, na região periorbital, e também regiões mais profundas como os gânglios ou núcleos da base. É comum que grandes gênios, artistas e pessoas muito precoces tenham este tipo de distúrbio, justamente devido a esta hiperatividade cerebral causada pela doença. A hiperatividade tende a se normalizar com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental.
No entanto, ainda existem várias questões não esclarecidas, como por exemplo, o fato de a medicação não funcionar com alguns pacientes. Estes medicamentos trabalham inibindo a recaptação da serotonina que é utilizada e produzida em demasia pelo cérebro dos pacientes. O TOC também pode aparecer como sintoma em doenças como encefalite, associada a tiques, conhecido como “transtorno de Gilles de la Tourette”, à febre reumática ou mesmo à doenças nervosas ou psiquiátricas. No caso deste autor que vos fala por exemplo, o TOC chegou na época em que fui atingido pela febre reumática, e nunca mais foi embora. Quando esta doença me atacou eu tinha cerca de 5 anos de idade.
Fatores de natureza psicológica também influenciam no surgimento, manutenção e agravamento da doença. É possível que o distúrbio surja após algum estress psicológico. Estes conflitos podem agravar os sintomas e podem também alterar a forma de pensar dos pacientes. O TOC pode mudar a forma de perceber e avaliar a realidade, pode fazer com que supervalorizemos nossos próprios pensamentos e ações, nos fazendo acreditar que eles possam influenciar diretamente em eventos de escalas grandiosas. Podemos acreditar até mesmo que podemos salvar um planeta inteiro com um simples acender e apagar das luzes.
Algumas características da doença é nos fazer desenvolver rituais para que possamos manter o equilíbrio e a vida no planeta, ou simplesmente, que acreditamos colaborar para que nos faça manter nossa própria integridade. É comum rituais de repetição, preocupações absurdas com limpeza, perfeccionismo. Um portador desta doença acredita verdadeiramente que salva vidas todos os dias.
Os “pensamentos mágicos” podem acompanhar um paciente por dias inteiros, ou até mais. Cada paciente pode apresentar um ou mais destes sintomas, que até o momento são considerados incuráveis. Podem ser diminuídos e se tornarem até mesmo raros através de tratamentos e cirurgias, mas sempre estarão lá.
É importante entender que esse tipo de reação não é algo que surge na cabeça das pessoas com esse problema como algo que possa simplesmente ser ignorado. As ideias que guiam e geram comportamentos nas pessoas com o TOC são extremamente poderosas. E por mais que depois de muito tratamento psicológico os pacientes saibam que aquilo não é real, por mais que tenham completa consciência disso, é como se não tivessem opções. Como se houvesse um ser supremo e superpoderoso em sua cabeça que lhe controlasse e lhe obrigasse a seguir com os rituais. Alguns destes rituais chegam a ser feitos, muitas vezes, sem que nós mesmos percebamos. É algo absolutamente incontrolável, como se estivéssemos drogados mesmo. Como se não tivéssemos mais nenhum controle que seja de nosso corpo. Comportamentos “evitativos” também são comuns como forma de não desencadearem essas obsessões.
Tenho absoluta certeza de que não vou conseguir explanar todos os problemas relacionados ao TOC, mas acredito ter deixado muitas coisas bem claras. Qualquer dúvida, pode comentar que responderei com prazer. Também pode me enviar emails. Claro que não sou um médico, mas estudo, convivo e batalho com esta doença pelo menos a 18 anos e acredito que isto me qualifica a conversar sobre ela, mais do que muitos médicos inclusive.
Existem várias produções interessantes do cinema e da tv que falam sobre o assunto (apesar de um pouco exageradamente, ou não!), como por exemplo os filmes: “Melhor é impossível“, “O Aviador” e o seriado “Monk“. Estes mostram pessoas que convivem com esse problema.
Se tiver mais interesse, visite o blog que mantenho exclusivamente para abordar a convivência e problemas com o TOC.
Fernando Aureliano
já escreveu
69 posts no
Asfixia.
Mutável, ambivalente e perturbado. Diretor de animação e ousado. Adora cachorros e cerveja; usa Apple e não vive uma semana sem ir ao bar jogar conversa fora; não sabe mais escrever a mão e ama a música; é ateu e não tem papas na língua. É a típica pessoa que, ou você ama, ou você odeia. Não gosta de quem concorda com ele, e admira as pessoas que discordam de suas ideias. É viciado em informação e está sempre disposto a se reinventar.




clara
out 31st, 2009
Gostaria de trocar impressões sobre esta doença porque eu também tenho TOC.
Obrigada
Fernando Aureliano
out 31st, 2009
Olá, @clara, você pode conhecer mais sobre este assunto acessando meu site: http://obsessivocompulsivo.com. Lá você encontrará meus contatos que poderá usar para conversarmos. Obrigado.
valmor braga
mai 9th, 2010
vivo com essa doença a anos,nao sei mais o que fazer.ja fiz varios tratamentos,ja fui internado em clinica psiquiatrica mas nada resolveu,apenas amenizou.tem horas que parece que vou enlouquecer,gostaria de ideias.obrigado
Fernando Aureliano Reply:
maio 9th, 2010 at 9:27 pm
Olá @valmor braga, infelizmente não há cura para essa doença, precisamos aprender a conviver com ela, é só o que podemos fazer…
visite o site http://obsessivocompulsivo.com/, talvez possa lhe ajudar em alguma coisa.